Não me substitua

O próximo post, este, seria outro. Mas como ocorrências importantes do meu “cantinho psicológico” são registrados aqui, e sei que de alguma maneira trará referências para aqueles que recorrem ao Blog, descrevo hoje outras reflexões importantes.

Logo que terminei com o Beto, ex antes do Japinha, marcamos de almoçar algumas semanas depois, quando tudo parecia ficar em seu devido lugar. Cheguei em sua casa, tomamos uma pinguinha e entre uma conversa e outra, por livre e espontânea vontade, o Beto começou com um discurso:

– Sabe, eu já não sinto mais nada por você. Me sinto bem sem você.

– Sei… e aí? Já teve experiências com outros caras? – ouvia meu ex atentamente, meio assustado com aquele modo.

– É… fui na sauna e acessei os aplicativos. Rolaram umas pegadas aí – falava o Beto com certa frieza, pausadamente e com aparente serenidade.

– Entendi… muito legal ver que você está se desapegando! – lancei um sorriso.

Aquela situação, embora de risco para ambos, colocava a prova o quanto eu estava suficientemente desapegado para confrontá-la. O que poderia vir intencionalmente como farpas ou um tipo de verde para especular a minha vida, materializava dentro de mim emoções positivas, legítimas, de que a pessoa que eu tinha amado por quatro anos ganhava outra representatividade para mim. Estava, curiosamente, feliz por ele, emoção que só pude vivenciar naquele exato contexto.

E foi naquele momento que ele continuou:

– E você, como anda nessas histórias?

No instante que ele lançou a fatídica pergunta, intuia que aquela curiosidade poderia assumir o formato de uma “maldição da curiosidade” (já bastante conhecida por mim em vivências anteriores), dependendo da minha resposta e das reais intenções do meu ex em querer “espiar” a minha intimidade. Sobriamente, perguntei em seguida:

– Você tem certeza que está preparado para ouvir?

– Claro, Flá. Acabei de dizer minhas aventuras pra você.

– Ok… então Beto, conheci também uns carinhas pelos apps e também fui na sauna. Na virada do ano. Foi legal.

Voltando um pouco mais no tempo, no dia em que Beto e eu terminamos – pela minha experiência adquirida em relacionamentos monogâmicos e “super família” (praticamente heteronormativos) -, lancei algo conscientemente importante pela primeira vez a ele, fruto de uma experiência bastante intensa e traumática – que havia demorado para superar – após término com o anterior, o Pedra:

– Beto, algo que é bastante importante para nós é evitarmos, ao máximo, expor abertamente ou propositadamente as situações ou pessoas que nos substituem, até o tempo fazer a sua parte. Muita gente faz isso hoje no Facebook e acho isso uma ignorância.

– Entendo, Flá… faz sentido. Vamos fazer assim.

Não deu semanas e estava eu tragando meu cigarro em sua casa quando a maldição da curiosidade se estabelecia:

– Então Beto, conheci também uns carinhas pelos apps e também fui na sauna. Na virada de ano. Foi legal.

Embora tivesse intuído o despreparo por parte do Beto para ter aqueles fatos entrando pelos seus ouvidos, numa curiosidade maldita, quase sadomasoquista, minhas falas saíram como um tiro de silenciador, tão devastadoramente suave que os efeitos só viriam minutos depois, quando nos deslocamos para um restaurante.

Paramos num local especializado em parmegiana, um lugar perto de sua casa onde já tinha pensado em conhecer enquanto namorávamos. O restaurante estava relativamente vazio e sentamos numa mesa a escolha, frente a frente. Mal conversamos quando subitamente o tiro fez a sangria: ele parou uma conversa pela metade, seus olhos começaram a marejar e, assim, correu para o banheiro.

Naquele instante desconfortável, triste e fatídico veio a bomba: “meu ex ainda não estava preparado”.

Dias depois do choque, o Beto me escrevia:

– Vou te excluir do Facebook por um tempo. Preciso disso. Você me avisou mas eu quis saber. Me fudi.

– Pois é, Beto… você foi curioso. Eu te entendo e acho que essa distância será importante mesmo. Apesar de eu ser mais racional, controlado ou que nome se dá para isso, não pense que foi fácil para mim ver a pessoa que mais amei nos últimos tempos fragilizada por causa de mim.

O tempo passou e lançou sua magia sobre nós. Eu e Beto. Aqueles que acompanham o Blog MVG já sabem da fraternidade que se estabelece hoje.

———————————

Foi no término com o Japinha que o mesmo discurso se estabeleceu: distantes, fizemos certos acordos de não incluir pessoas novas no Facebook e ele, prontamente, disse que não mais entraria aqui, no Blog. Achei correto, eu sabendo do teor amargo e ingrato que situações e pessoas novas causam para ex-namorados. Mas a proposta do MVG não mudaria.

Foi da mesma maneira, da maldição da curiosidade, que o Japinha quebrou o acordo semanas após nosso término: acessou aqui recentemente e teve conhecimento sobre assuntos que não deveria saber. Pelo menos era o que a gente tinha combinado e me parecia muito certo.

Ontem, por volta da uma da manhã em Chicago e três da manhã aqui no Brasil, enquanto eu estava dormindo, ouvi o barulho do meu celular cair no chão. Acordei assustado e peguei-o vibrando sem parar. Era o Japinha mandando mensagens, desolado, inconformado e enraivecido pelos “assuntos nojentos” que havia encontrado no Blog.

Sonado, confuso, eu não tive muito tempo para ler tudo que ele havia escrito. Estava organizando minhas ideias quando, abruptamente, ele me bloqueou do Whatsapp. Demorei um pouco para dormir, enquanto refletia sobre tudo que ele havia escrito. Mandei um e-mail logo pela manhã, hoje, assim que acordei.

Se estou chateado e triste? Claro que sim. Mas não por um possível sentimento de culpa ou désdem, de algo que eu deveria ou não ter feito. Estou triste e chateado porque, as vezes, ou na grande maioria das vezes, a normatividade humana (ou cultural) “força a barra” para que em situações de término se configurem “bandidos e mocinhos”. As vezes, precisamos de uma prova maior, mesmo que nos gere os monstros da raiva, do rancor e da decepção, para seguir em frente.

Eu já fui um humano desses, de carregar o rancor por pessoas, por meu pai, por um ex-namorado. Rancor muitas vezes camuflado de indiferença, julgamento ou frieza. Não quero mais isso pra mim.

PS: Fica aqui o registro em especial para o leitor Liori, para que tenha o gostinho de sentir o MVG “se dando mal”. Já que el@ assumiu que não gosta muito do blogueiro, está aí um motivo para celebrar.

12 comentários Adicione o seu

  1. Flávio disse:

    Oi Flávio! Cara, você é surpreendente, o mais incrível é a naturalidade e a moderação com a qual você lida com toda a situação descrita no texto. É um bom exemplo de que devemos agir por fatores racionais e não apenas emocionais seja para por fim num relacionamento, seja para tocar em frente.

    Acredito que quem assim como eu torciam por você e o Japinha sentiram uma certa raiva de você lendo esse texto, esse seu perfil aparentemente frívolo acaba induzindo esse sentimento. O Problema é que desapegar não deve ser tão fácil, há sempre a sensação de posse e pertencimento numa relação, e embora vocês tenham terminado, essa não se esvai tão rapidamente. E para saber disso não precisa ter passado por inúmeros relacionamentos.

    Acho que as experiências de seus relacionamentos anteriores contribuíram bastante para seu posicionamento, o que no texto acaba dando um tom sugestivo de indiferença, o que também acredito que não queira dizer que você não se importe, mas só reforça sua naturalidade em tratar do assunto. Sinceramente, desejo felicidades para ambos.

    Abraço!

    1. minhavidagay disse:

      Obrigado, Flávio. Não tem jeito… Quando um perde o controle (e sempre haverá um que se descontrolará emocionalmente mais do que o outro) a outra parte quase que naturalmente faz as vezes de racional. Esse é o cenário ideal na minha concepção, para que ambos se machuquem o mínimo possível. Difícil é perceber isso no “olho do furacão”. Mas já estive nele algumas vezes.

      A minha racionalidade de hoje não significa que não pulse o sentimento. Mas, sim, que já se pisou algumas vezes nesses mesmos “campos minados” sensíveis de um término, já se sentiu muito e já se sabe como fazer com que as dores do apego e do controle ressoem da maneira menos traumática ou destrutiva possível.

      Porque é exatamente isso: quando duas pessoas se relacionavam e perdem o ritmo, existe sempre uma possibilidade de uma vertente destrutiva.

      Eu terminei com o Japinha, naquele dia há mais ou menos duas semanas atrás. Ele, de fato, terminou hoje. Só reagi e fiz aquilo que a minha vivência já me ensinou diante do descompasso.

      Determinadas emoções negativas podem ser evitadas, mas primeiro, antes de mais nada, precisam ser profundamente vividas.

      Melhor que racional, digo que sei o que o Japinha sente, para ter a melhor conduta possível numa crise.

      Crise de relações já vivi centenas porque me permiti, com bastante coragem, me aprofundar em algumas delas. Arrisco a dizer que, nesse caso, vivência se confunde com racionalidade. Modestamente.

      Eu decidi não ter raiva ou rancor das pessoas que amei. Tais sentimentos nos aprisionam de uma maneira ingrata, cruel e nem sequer nos damos conta. Passei dessa fase porque vivi outras anteriores até chegar aqui.

  2. Caio disse:

    Olá MVG, quanto tempo hann…

    Acabei de me inteirar dos últimos acontecimentos por aqui e vejo que houveram algumas mudanças grandes.

    Espero que esteja passando bem agora, depois dos abalos.

    Ainda continuo por aqui, ainda que de maneira mais discreta sem me manifestar, acessando quando dá, pois a vida ficou mais corrida.

    Só por curiosidade, ainda sou o que tem mais comentários? hehehe

    Abração e parabéns atrasado 0/.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Caio! Não mais eheheh… Le Beadle te ultrapassou :P

  3. Liori disse:

    Cara, nunca disse que gostaria de ver vc “se dando mal”! Tá louco? Isso geraria um karma muito ruim e o meu negócio é viver o meu DHARMA ;D, só disse que não gosto muito de vc (ate prq não somos OBRIGADOS a gostar de ninguém). Disse que não gosto da (grande) maioria das suas opiniões, e explico.
    Pra mim você é sim narcisista (porra quer prova maior que montar um blog sobre sua vida?!), egocêntrico e … insensível. Sempre em cima de um discurso de suas “caixinhas” e todo seu rancor pela “normatividade” e os demais bla bla bla que sempre, eu disse SEMPRE vc toca no mesmo assunto. E isso NÃO é uma critica é uma observação do que pra mim, vc transparece em seus textos. O que tbm não quer dizer nada, afinal você pode simplesmente cagar e andar pros meus comentários da mesma forma que eu JAMAIS irei perder noites de sono pelos seus dramas. Até prq pra mim existem apenas duas máximas nessa vida!
    A primeira é a lei da troca equivalente. Se vc ta passando por isso agora FODA-SE vc fez por merecer!
    A segunda é de que PRA MIM, VOCE (ou qqr pessoa) É PROBLEMA SEU!

    Bem, esclarecidos esses pontos vamos ao conteúdo do post…

    Qndo disse que vc é egocêntrico e insensível vc só comprova qnd nos conta a história do seu ex Beto que MESMO sabendo que o cara não iria segurar a barra ao saber dos fatos, mesmo assim você fez questão de falar. Voce falou em termos de “mocinho e bandido” ao fim dos relacionamentos … bom nesse ato você foi o bandido insensível.
    Agora a respeito do “japinha” (pqp ce bem que poderia pelo menos ter inventado um nome fictício pro cara … “japinha”? enfim.) Voce no alto da sua racionalidade (sim prq vc adora demonstrar que é racional e não emocional) se estava num relacionamento (mesmo fadado ao fracasso como ja havia dito e percebido … “relacionamento aberto” … que piada – ta ai mais uma vez te cabe o papel de bandido desde o momento em que propõem um relacionamento aberto MESMO conhecendo os valores do seu ex) você acha MESMO que o cara não ia entrar no seu blog e ver sobre SUA VIDA GAY?
    Precisava ja na primeira semana sair em saunas e aplicativos como uma cadela no cio e ainda postar pra quem quisesse ver? Eu no lugar do seu ex japinha (alias sempre gostei mais dele do que de você ) tbm ficaria enraivecido pelos “assuntos nojentos”. CADE toda sua sabedoria e eloquência em saber esperar o momento pra contar essas coisas por ai?
    Tudo bem a vida é sua e com ela você faz o que quiser, alias pra mim como uma bicha velha vc sabe muito bem limpar a própria bunda sozinho! O que quero dizer que eu ACHO que mesmo inconscientemente você fez essa postagem de propósito! Sim de proposito! Você mesmo disse que nem ficou “culpado” por isso… e se vale do discurso de que pessoas “não evoluídas” emocionalmente estão controladas pela normatividade …

    Olha Flavio, eu entendo seu ponto de vista, de verdade! não me interessa tudo o que vc teve que passar pra ter todo esse desapego pelas emoções humanas e com os sentimentos alheios mas eu digo! Antes de toda racionalidade, antes mesmo de todo esse conceito de normatividade ainda muito antes disso as pessoas são feitas de emoções! Isso é inerente a natureza de SER HUMANO! São instintos biológicos! Ou você se considera uma ultra raça evoluída de saiu caixa e agora vive contra tudo que é “normativo”?
    E digo mais, você como você é tão racional, senhor das suas emoções (esses sentimentos tão chulos não é mesmo?), tão centrado, tão …. chato! (sim vc é chato! Desculpa amigo mas é). Você visto de fora, você se relacionaria “afetivamente” com uma pessoa igual a você?

    Então pra mim é isso! Jamais, eu disse, JAMAIS queria ver você se dando mal (e nem acredito que vc pense que se deu mal, não mesmo meu caro?!) mas eu pelo que absorvo dos seus textos tiro minhas conclusões sobre você (conclusões que ja disse que na verdade não querem dizer nada) e pra mim vc é sim narcisista, egocêntrico no sentido de ostentação (aponto de se valer sempre de fazer questão de lembrar da sua condição) e insensível.
    (mas uma coisa eu tenho que enaltecer! vc é resolvido o suficiente pra postar ate meus comentários )

    Talvez sejam questões pra se levar à um analista, uma terapia … ou talvez não (isso não é problema meu ne rs)

    Enfim cara era isso, de vdd seja feliz

    1. minhavidagay disse:

      Oi Liori,
      tudo bom?

      Vou me prestar a dissertar um pouco mais sobre suas colocações pois você lançou apenas um ponto que vale à pena desenvolver, no meu ponto de vista. Suas demais críticas e julgamentos, suposições e afirmações, as vezes me parecem tão estapafúrdias e as vezes tão corretas, mas de uma maneira tão estupidamente reativa, que não vale entrar no jogo. Gastaria verbo à toa e você teria a atenção que me cobra.

      O ponto que me despertou interesse foi o seguinte: Por que eu posto os comentários do “personagem” Liori (que pode ter outro nome e a qualquer hora) se o interesse dele é exclusivamente de agredir e desmoralizar o MVG?

      Bem, dizer que é porque sou resolvido me parece um equívoco pois eu poderia simplesmente excluir suas postagens e continuar sendo bem resolvido. O que quer dizer “bem resolvido” para você, amigo?

      Eu permito seus comentários (e note, é uma concessão pois o “poder” do meu ego que você gosta de enaltecer tanto poderia resolver isso num clique) por alguns motivos:

      1) Você representa uma maneira reativa de ser gay, ou melhor, de ser uma pessoa. Temos milhares desses espalhados pelo mundo e é sempre bom ter uma referência por perto para, no meu caso, lembrar o que eu não quero ser e para que outras pessoas também possam se referenciar;

      2) Apesar de você focar exclusivamente em julgamentos pessoais e agressões pessoais, tem direito de expressão, não é mesmo? Mas o que suas opiniões vão mudar na minha vida? Nada. Mas o conteúdo exposto aqui tem ajudado bastante gente (por mais que você ache que isso seja uma inverdade ou uma falácia. Tais pensamentos seriam típicos do “personagem” que você resolveu criar para confrontar o MVG);

      3) Com certo repúdio, você tenta me encostar na parede numa tentativa de desmoralização. Eu não posso sentir o mesmo por você pois mal te conheço, desculpe. Não consigo ter raiva de um fragmento de alguém que se eu cruzar na rua jamais saberei. A exposição é minha sim, minha e de algumas pessoas importantes que fazem parte dos meus relacionamentos. Quem está dando a cara para bater sou eu, acima de tudo. Como posso julgar você, se você não deixa de ser um “fantasminha” que “forçadamente” continua no Blog? Você está aqui porque quer. Algum prazer você tem, nem que seja para me ter como o “chato da sua vida”. Isso te gera prazer, amigo;

      4) Sim, você tem prazer pelo Blog e em algum nível se identifica. Adora comparações, adora julgamentos, provocações e, acima de tudo, tem um desejo de tentar quebrar com essa minha postura “racional e fria”. Eu diria madura, mas você quer assim: “racional e fria”. Isso gera certa excitação em você. Por que eu excluiria alguém que, no fundo, apesar de um discurso contrário, tem fixação pelas palavras que aqui descrevo e, sim, fantasia sobre as histórias? Você não deixa de ser um leitor assíduo e eu escrevo para as pessoas que se interessam. Você se interessa.

      Por esses motivos não te excluo do Blog. Você, por meios bons ou ruins, se interessa.

      Bom, não quero fazer desses meus comentários um jogo psicológico sem fim, um embate de egos. Responda o que quiser, se quiser. Mas não darei continuidade se você treplicar com mais julgamentos. Numa próxima, dica: tente trazer reflexões mais pertinentes aos assuntos. Tente desconectar do meu ego que, sim, você ajuda a alimentar tanto!

      Um abraço,
      MVG

    2. Liori disse:

      HAHAHAHA Em riso aqui!
      Sério nunca vi meu esposo rir tanto frente a um comentário (e olha que pra gente vc já muitas vezes motivo de piada :)

      Bom vc foi evasivo utilizando de subterfúgios para escapar das questões principais. Seria essa uma resposta do seu super-ego? Será que os ovos foram mexidos? Será? rsrs.
      Mas eu sei o prq, e vc sabe o prq, (ja tenho minha resposta)
      desperdiçou um monte de caracteres e veio com um monte de mimimi, que como disse não representa nada! (lembre-se vc pra mim é problema seu)

      É bobagem realmente continuar, e acredite nem é essa a intenção. Só que, quem fala o que quer escuta todo tipo de coisa entroca né?! isso seja expressão.

      bom nos seus 4 apontamentos desculpe desaponta-lo mas sim estão todos errados (e não estou fazendo birra não!! estou sendo sincero, entenda de uma vez por todas que muito, mas muito dificilmente mesmo uma coisa assim me abala… qnt mais uma “conversa”) veja bem:

      no apontamento 1: Vc tbm não nos representa, e jamais penso em me tornar um humano como vc (ooooh será que seu ego aguenta isso? … coitadinho) na vdd comento as vezes prq sei que seu blog de certa forma influencia no pensamento de alguns … agora ja pensou na droga que seria o mundo se varias pessoas fossem como vc?! pessoas deveras “racionais e frias” ???

      no apontamento 2: eu nao duvido tem-se publico pra tudo, e não, não sou um personagem Liori é meu nome mesmo. E conforntar o MVG … a bicha faz me rir né

      no apontamento 3: não tento de “desmoralizar” como JÁ disse minha é opinião moldada pelas impressões que vc passa (isso não é culpa minha oras). Qnt ao “fantasminha”, “chato da vida” não entendi (mas como disse Clarice, viver ultrapassa!)

      no apontamento 4: foi o que explodimos em riso :D
      bicha!!! menos né! …. bem menos. Nao sei se vc sabe mas tem muitos mas muitos blogs melhores por ai e ja expliquei o motivo de ler suas postagens. Alias se elas nao chegassem por email, entrar aqui seria uma coisa improvável. E qnt a questão do email ja estou vendo nas configurações do Gmail pra endereça-las automaticamente ao caixote de lixo.

      no mais nao vou e nem cabe acrescentar mais nada (seu ego iria barrar de qqr forma mesmo), até prq tudo isso é uma comedia, alias vc é uma piada pronta :D

      bom a Minha Vida Gay segue como sempre, ou seja ÓTIMA.
      como disse antes, … “que vc seja feliz” (d vdd)

      Adeus
      ah meu esposo (ainda rindo) tbm de manda um abraço :]

  4. Leandro disse:

    Nossa, eu queria muito agir assim! Por mais que eu tente me controlar, acabo agindo de uma forma muito impulsiva e acabo tomando as mesmas atitudes que os seus exs tomaram com vc. E, ainda por cima, existe um agravante: tenho quase 25 anos, mas ainda não consegui engatar um namoro sério. Num mundo onde tudo é muito rápido, onde gays de 13/14/15 anos já estão fazendo e acontecendo, é extremamente frustrante chegar na idade que eu tenho e perceber que ainda não consegui construir NADA com ninguém (em termos amorosos). E a cada tentativa frustrada, a cada “não” que eu recebo, eu me sinto cada vez mais triste e mais sem esperança. Desse jeito, vou acabar virando um solteirão frustrado!

    1. minhavidagay disse:

      Hey, Leandro!
      Tudo bom?

      Estive hoje convesando com o Matheus. Ele é um dos leitores do MVG que conheci pessoalmente e que deixou uma entrevista na Rádio MVG. Depois ouve lá.

      Na conversa que tivemos no jantar, além de muitos assuntos descontraídos sobre a vida, falamos de papos típicos ao Blog. Levantamos a questão: o que é normal à vida gay?

      Será que o normal se faz por uma maioria que só quer curtir, transar e viver relacionamentos voláteis? Ou será que o normal é formar par, viver num esquema a dois e situações tradicionalmente esperadas?

      Os dois caminhos fazem parte de uma normatividade geral! Heterossexuais passam pelas mesmíssimas questões.

      Por um lado, existe um desespero coletivo em conseguir se relacionar. Parece que o mundo a nossa volta só quer casualidade. Por outro, as pessoas andam tão individualizadas, substituíveis e aparentemente felizes assim, que formar um casal é algo não esperado.

      Ora, se há milhões querendo formar par e outros milhões querendo curtir, porque será que os iguais, que têm o mesmo desejo não se encontram?

      Sinto no seu discurso uma ansiedade e uma comparação ingênua com os jovens mais novos. Primeiro que 25 anos, para se iniciar uma relação mais vindoura não é tarde! Eu comecei a sair do armário com 23! O Matheus e o Sammy (também com entrevista na Rádio), começaram a vida gay com 25! E veja só: ambos estão namorando hoje, dois anos depois.

      O Fernando Lima, com 47 anos hoje, mas que também faz parte desse grupo, começou a dar sua abertura à vida gay com 45. Quer namorar também, mas mais do que isso, está ainda aprendendo a se relacionar com pessoas de seu interesse faz somente dois anos.

      Será que a sua ansiedade para “namorar de qualquer jeito” não anda assustando as pessoas? Você quer formar par, ciente do desafio que é namorar, ou você quer namorar porque se acha velho em comparação aos jovens mais novos que são mais agilizados?

      As vezes, as intenções de querer um namoro define o resultado da procura pelo mesmo. Não se namora porque na comparação nos achamos velhos. Se namora para encarar-se os ônus e bônus que uma vida de namorados oferece. Se namora porque duas pessoas passam a se amar e compreendem que uma vida de casal não é nada fácil. Se namora porque estamos preparados a nos apegar por alguém, criar vínculos e abrir mão da “liberdade” que a vida individualizada oferece.

      1. Leandro disse:

        Oi Flávio, td bem? Eu comecei a sair do armário quase na mesma idade que vc: 22 anos. Antes disso, eu contei a verdade para minha mãe e minha irmã, mais ou menos quando eu tinha 13 ou 14 anos. Tentei contar para meu pai, mas ele reagiu mto mal, e desde então, ainda não consegui tocar no assunto às claras com ele. Naquela época, eu ainda morava no interior e não me sentia seguro para “sair à caça”, pois tinha medo da exposição (cidade do interior é aquela coisa: todo mundo sabe o que vc faz). Como era mto romântico, eu “colecionava” amores platônicos um atrás do outro, e sofria demais por não poder me declarar.
        Com 18 anos, eu vim para Salvador para estudar na Universidade. Apesar de meu curso ser até gay-friendly, minha turma tinha uma composição majoritariamente feminina, e acabei caindo em um grupo que só tinha eu de gay. Durante o curso, me apaixonei por um rapaz bi, e tentei me declarar a ele, só q ele um cara mto escroto, e me decepcionei amargamente com ele. Mais ou menos na mesma época, tentei fazer a prática do “banheirão”, além de sair com um carinha que conheci numa sala de bate-papo, mas foram duas experiências tão traumáticas que entrei em um processo de negação, do qual só consegui sair dois anos depois, quando entrei na terapia.
        Meses depois de ter começado a terapia, outro baque: me apaixonei pelo meu psicólogo. Eu acabei trocando de terapeuta por conta própria, e acabei conhecendo uma psicóloga maravilhosa, que desde então vem me ajudado muito! Fui conseguindo aos poucos sair do processo de negação. Assumi minha orientação sexual no trabalho (só meu chefe e uma colega não sabem), e tornei a me apaixonar. Dessa vez, QUASE, mas QUASE que surgiu um namoro sério, só que o rapaz era tão inseguro quanto eu, então ele acabou me rejeitando duas vezes. A primeira rejeição eu perdoei, mas a segunda eu nunca consegui aceitar. Quando ele me rejeitou pela segunda vez, a princípio eu perdoei pq ele demonstrava muita insegurança. Eu olhava pra ele e achava impossível ele conseguir namorar sério durante um bom tempo. Ledo engano! A insegurança dele evaporou-se em menos de um mês! Quando eu menos espero, a criatura já estava namorando sério! Fiquei tão puto com a cara-de-pau dele que eu falei poucas e boas pra ele, até ele me bloquear no Face.
        A essas alturas, eu já estava cansado de me apaixonar e só me ferrar! Resolvi tomar as rédeas da situação e resolvi perder a virgindade com um garoto de programa mesmo! Depois disso, conheci o “mundo encantado dos apps”. Tive uns dois ou três meses de intensa pegação, mas acabei saindo dos apps pq já não estava a fim desse tipo de relacionamento. Fiquei alguns meses sozinho, sem me importar com nada, até que recentemente, comecei a ficar com um amigo que eu fiz no trabalho. Depois de um tempo de pegação, comecei a sentir vontade de namorar sério com ele. No entanto, antes mesmo de pedir ele em namoro, quando eu estava marcando nosso próximo encontro, fiz uma pergunta carinhosa a ele e a resposta que ele me deu foi tão fria e indiferente que fiquei imediatamente chateado. Tive umas duas ou três conversas bastante tensas com ele pelo Messenger, só que isso só fez com que ele ficasse ainda mais distante. Nessa mesma época, minha avó faleceu. Fui falar pra ele o q aconteceu, ele simplesmente não disse NADA e não esboçou um único gesto de solidariedade. Fiquei tão magoado, mas tão magoado com essa frieza dele, que fechei a cara com ele durante uma semana, depois falei poucas e boas pra ele no Face, e por fim deletei e bloqueei o escroto!

        Pronto, essa é minha saga. Como dá pra perceber, eu não tenho sorte em relacionamentos. Nesse momento, meu coração está fechado e trancado a 7 chaves e não pretendo abri-lo tão cedo! Cansei de criar expectativas e me decepcionar! Pois agora eu estou 100% focado em conseguir um emprego melhor e mais bem pago e mudar de cidade, já que eu DETESTO Salvador com todas as minhas forças.

      2. minhavidagay disse:

        Leandro,
        vejo seu texto e sinto realmente um “poderoso” efeito da terapia.

        Você trata sua “saga” com bastante serenidade, posso estar enganado, mas só o fato de alguns acontecimentos da sua vida, teoricamente traumáticos, não terem estagnado você num tipo de condição, mostra que você tem levado (consciente ou não) seu próprio processo de resoluções consigo.

        Parabéns. Essas referências são importantes. Não sinto reatividade nem excessos, embora tenham passagens chatas na vida, como TODOS nós temos.

        Obrigado,
        MVG

  5. Leandro disse:

    Oi, Flávio, agradeço muitíssimo seu feedback! Apesar de meu texto ter passado uma sensação de serenidade, eu ainda tô me recuperando das últimas feridas que eu sofri. Tem dias que eu me revolto, reclamo da vida, acho tudo um saco; tem dias que eu fico deprimido, sinto vontade de desistir de tudo, me acho o homem mais feio do mundo; e tem dias que eu procuro esquecer e me focar em outras coisas, estudar, fazer concurso, trabalhar, falar com os amigos, etc. E assim, a vida vai seguindo. Sobre os eventos traumáticos que eu passei, a terapia tem me ajudado bastante a superá-los. Acredito que o maior desafio, desde sempre, não é superar os eventos traumáticos, e sim lidar com a insegurança e a baixa auto-estima. Cresci num ambiente familiar meio conturbado, com muitas discussões domésticas (não chegava a ser nada muito grave, como a gente costuma ver nos Datenas da vida, mas também não deixava de ser algo assustador pra mim). Além disso, meus pais são pessoas muito simples e conformadas, então eles nunca estimularam muito minha auto-estima. Minha mãe mesmo só conseguiu se impor na família depois que minha avó necessitou de cuidados. Hj, procuro fazer o possível pra mudar a minha própria história e a minha história familiar. Acho que já consegui bastante coisa, mas ainda sinto que tenho muito a fazer.

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