Ninguém vira gay

Para o Dia dos Namorados, o Boticário fará pessoas tornarem-se gays. Só que não.

Depois da Copa e das últimas eleições, resolvi mirar o olhar na minha empresa e em questões mais particulares e até mesmo introspectivas. Em meio à crise econômica, posturas corruptas pipocando aqui e ali no território nacional, desastres aéreos e naturais, busquei me “autocentrar nas minhas coisas” e vale a redundância. Mudanças significativas estão rolando em minha empresa, num fluxo – graças a Deus e há mais de 14 anos de labuta -, protegido dos atropelos e desarranjos absurdos de nossa governança. Natural querer focar energia naquilo que está dando certo ou que, pelo menos, tenho mais autonomia para direcionar.

Foi aí que chegou a mim a propaganda do Boticário do Dia dos Namorados, que está gerando a velha e boa polêmica pela exposição da troca de afeto entre gays na mídia de massa. Resolvi dar uma espiada em algo extremamente breve. Sucintos e compactos 30 segundos do quê? De uma afetividade suave, simples e que quase nos escapa num piscar de olhos.

Me pergunto sem ter que raciocinar demais: “porque alguns grupos extremistas, claro que vinculados há alguma religião ou instituição tradicionalesca, teriam que protestar?”.

A única resposta que me vem a cabeça é porque, na “cultura” desses grupelhos, expor abertamente gestos afetivos assim, influencia e persuade as pessoas, como se fosse possível “virar gay por influência”.

A propaganda é essa e que fique eternizada no MVG:

Gente… gestos simples, corriqueiros, afetividade pura em diminutos 30 segundos. Expressão do amor. Eis o primeiro ponto.

Agora o segundo é quase tragicômico: a mim, qualquer indivíduo que tenha impregnado na mente, nos circuitos das sinapses, que as pessoas podem se tornar homossexuais por influências desse tipo, de propaganda, de novela ou seriado de tevê, deve ser tratado como mal educado, de cultura rasa, quiçá tapado, como falaria meu pai. Não tenho a mínima paciência para discutir mais isso e confesso que existem dezenas de posts que abordam tal tema, do impacto de exemplos externos que podem nos influenciar ou não.

Ninguém vira gay por influência, gente. Sexualidade é tão intrínseca como a cor dos olhos, aptidões e tendência de ser mau humorado ou não. Ademais, pensar diferente disso quando o assunto é “pessoas tornam-se gays por influência”, cai na vala da ignorância. Vivemos numa sociedade de cultura mista que, por um lado, trás a virtude da diversidade, mas que por outro confere um desalinhamento de valores tremendo, da dissonância dos extremos e de bolhas culturais que não dialogam, mas falam pelo coração e emanam intransigência.

Faço um pouco aqui no MVG e um pouco aqui fora a minha parte. No mais, estou focado em minhas questões particulares e até mesmo introspectivas. Eis um parênteses que fiz de bom grado pela troca que tive com um dos leitores.

1 comentário Adicione o seu

  1. Sandro Bonassa disse:

    Realmente é impressionante como a felicidade incomoda muito as pessoas.
    Apenas trinta segundos para os preconceituosos desfilarem veneno.
    Difícil tentar encher um copo com tolerância, respeito quando o mesmo já está cheio de ódio, rancor, ignorância de que um comercial, novela ou série de TV, vai transformar alguém em Gay e destruir a família tradicional Brasileira.
    Tal família doriana que só existe na cabeça dos alienados, Brasil hoje em sua grande maioria e constituído por famílias tendo mãe solteira que comanda o lar, ajuda dos avós na criação e contas do lar, casais divorciados continuando novas famílias Unindo todos os filhos e casais gays constituindo família.

    É praticamente impossível tentar dialogar ( fora o desperdício de energia sendo gasta de forma pouco produtiva), com alguém que ainda acredita na família doriana, papai vai trabalhar, mamãe leva os filhos para escola e depois vai participar de alguma obra social da igreja.

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