O que é comum aos homossexuais

Homossexuais passam por isso

Sobre a heteronormatividade, muitos gays sabem o significado e na Internet há um punhado de definições. A maioria leva, resumidamente, a “cartilha hétero”, da cultura de gênero na qual o homem se relaciona com a mulher e vice-versa, dos padrões relacionais entre ambos regados (ainda) de machismo, sugerindo certa autonomia e superioridade do homem perante a mulher e da educação geral orientada a heterossexualidade.

No universo heteronormativo, por exemplo, quando pais sentam com os filhos para falar sobre sexualidade e afeto, definem que nas relações sexuais e afetivas, o menino – um dia – vai se envolver por uma menina e vice-versa. Nada mais além disso.

O sonho de noiva no altar, com buquê e festa para os convidados, à casinha e quarto de bebê decorado, formam a cultura da heteronormatividade na qual o homossexual não entra.

Heteronormativo também é a soma de classificações de gênero depositada em culturas e hábitos corriqueiros: “meninos brincam de bola e meninas de boneca”, “meninos não choram e meninas ressaltam sua delicadeza com penteados de princesa”, “meninas fazem festa de debutante”, “meninos fazem aulas de arte marcial”, “homens se reúnem para falar de mulher, sexo e futebol” e assim por diante.

Na heteronormatividade, também, passam batidos erros conceituais, tais como se expressa nessa afirmação: “conheço uma menina que nem parece lésbica” – eis um hétero se referindo a uma moça que é bastante feminina e atraente, sugerindo que – em seu repertório – as lésbicas são masculinizadas e feias.

A heteronormatividade, ainda, enxerga o universo homossexual com muita miopia. Eu que sou amigo de homens e mulheres heterossexuais, tive que “catequizar” em certa fase da vida todos eles mendiante a ausência de conhecimento sobre algumas nuances da vida gay.

Todos esses elementos e outros mais caracterizam a heteronormatividade em alguma medida. E na heteronormatividade, pela determinação do conceito, os homossexuais são marginalizados.

E por falar das nuances da vida gay (ou homossexual), quais são as que costumam ser lugar comum para nós e que, hipoteticamente, nos caracterizariam?

  • Não são todos os homossexuais, mas muitos passam ou passarão pelo processo de aceitação perante pais, irmãos e amigos. Numa sociedade regida pela heteronormatividade, homossexuais (ainda) pedem a “benção” e tendem a comunicar o fato;
  • Homossexuais usarão sites, redes e aplicativos para entender e desvendar melhor a própria homossexualidade. Se o ponto de referência é a heteronormatividade e não é comum ver pais educando seus filhos sobre homossexualidade, a busca por informações para o entendimento de si e da própria homossexualidade é realizada (esmagadoramente) pela Internet. A entrada em baladas e ambientes destinados ao público, onde é possível experienciar um pouco mais, vem depois;
  • Sob o conceito principal de HSH (Homens que fazem Sexo com Homens), a homossexualidade de um indivíduo corre diferentemente em relação ao outro indivíduo. As pessoas gays (da autoaceitação sexual, afetiva e social) podem cruzar inúmeros “tipos” homossexuais que nem sempre se entendem como gays. O processo de autoentendimento da homossexualidade é diferente de um para o outro. Tem jovens de 14 anos que já se afirmam como gays e há homens que vão aceitar essa palavrinha “gay” só depois dos 40 anos ou mais. Há ainda aqueles que transitarão (em diversos níveis) entre a homossexualidade e a heterossexualidade (nas esferas sexual, afetiva e social) por longos anos;
  • Homossexuais, talvez, passem por uma ou mais fases da vida nas quais se envolvam emocionalmente por amigos heterossexuais;
  • Dentre os tabus relacionados ao homossexual, ativo, passivo e versátil são temas que vira e mexe apontam para questões (divididas ou apenas mentalizadas);
  • Homens com desejos homossexuais, em alguns casos, usam ambientes públicos para a prática sexual. É comum, por exemplo, entrar no banheiro do Shopping Frei Caneca, em São Paulo e ser “surpeendido” por homossexuais praticando atos sexuais, inclusive, em horários frequentados por famílias;
  • No universo homossexual, tido como de minorias excluídas, é comum o preconceito a negros e orientais, tema mais detalhado no post anterior;
  • Homossexuais entram em discussões e debates sobre “afeminados e masculinizados”. Embora não seja popular, há uma cultura de rixa entre essas partes, normalmente por trás ou estimuladas por bandeiras partidárias;
  • E por fim, mas não menos importante para registrar, assim como existem rótulos e estereótipos no meio hétero, muitas vezes buscamos pertencimento em subgrupos, tais quais barbies, ursos, fashionistas e etc.

coach-de-vida-gay

Sou Mentor e Coach para o público gay e relacionados: pais, irmãos, amigos, entre outros e desde 2011 matenho o Blog MVG como meio de referência, trocas e vivências. Gostaria de uma mentoria ou coaching? www.lifecoachmvg.com.br

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