O que esperar de 2020

2020

Antes de mais nada, a minha sugestão é que não se espere por nada. A ação de aguardo ou de expectativa pode provocar inação ou frustração. Então, antes de mais nada, idealize um ano de 2020 no qual você arregace um pouco mais as mangas e saia da zona de conforto, lembrando que “zona de conforto” é o “lugar” dos velhos e bons prazeres e, igualmente, problemas.

Cenário econômico

Por mais que eu seja de centro-esquerda e questione certo liberalismo excessivo, acredito que as práticas de Paulo Guedes e equipe vão, pelo menos, trazer alguns benefícios a curto prazo.

Na realidade, já estão trazendo com o menor índice Selic da história do país, ação positivamente comentada – inclusive – por Ciro Gomes.

Economia, em detalhes, é um assunto que eu não domino. Porém, lendo e consultando pessoas que lidam com o assunto com mais autonomia, a expectativa é média.

E o social?

O “mundo novo” a partir da Internet, smartphones e redes sociais, provou que o ser cordial que é o brasileiro – “cordial” conforme conceitua Sergio Buarque de Holanda – é passional e, assim, muito mais truculento e ofensivo do que amistoso.

Nas redes, inclusive no Minha Vida Gay, as pessoas deixam suas marcas evidentes de truculência.

Esse espelho e reflexo são relativamente novos. Antes era possível conter-se em nossas bolhas de realidade paralelas. A partir dos adventos tecnológicos essas realidades se misturam e o que aflora na maioria das vezes é a intolerância.

Sentido de unidade

A despeito de representantes, como Bolsonaro ou Lula, o latino cordial brasileiro terá um chão pela frente para mudar (ou não) essa característica. O reconhecimento é novo, o entrelaçamento das realidades das bolhas é recente e temos uma década ou mais para rever, na prática, nossos sentidos de diversidade, empatia e unidade de povo brasileiro.

Porém, no campo psicológico, a tomada da consciência de que o brasileiro é muito mais abrupto e reativo do que é vendido para o turista gringo, é o sopro de esperança do início de uma caminhada para a mudança comportamental.

Para mim, 2019 marcou o início dessa conscientização, o que vejo com muito bons olhos. “Alguéns” estão arregançando as mangas diante disso.

Contração e expansão

Enquanto muitos estão preferindo “contrair”, se reduzindo a suas bolhas em um movimento que retoma os tempos sem redes sociais (como se fosse realmente possível retroceder nesse sentido), outros – talvez em menor número – estão se dando a oportunidade de entender as realidades das bolhas sem alarmismos ou reatividade. Sem o julgamento, o reducionismo, a comparação e a histeria.

A maioria continua por lá, nas redes, construindo atritos e conflitos todos os dias. Exalando esse prazer cordial.

Este é o contexto atual e, a mim, já é a novidade, já é o processo, embora exija certa paciência muitas vezes.

O que esperar de 2020

Curiosamente, este ano dediquei um post exclusivo sobre amor e felicidade, sugerindo, a partir de meus insights, que o amor está no caminho e não é um objeto final, como o ocidente prega há séculos.

Eis que os 3 filósofos mais populares no Brasil, na atualidade, lançaram um livro recentemente (que com certeza eu vou comprar para leitura nas coletivas de final de ano), sobre a felicidade e citam o caminho.

Termino assim as probabilidades de 2020 com essa referência, do programa Roda Viva com Cortella, Karnal e Pondé.

Individualizados em nossas bolhas ou não, queremos estar felizes.

Cortella, Karnal e Pondé no Roda Viva

4 comentários Adicione o seu

  1. Também não entendo de economia e muito menos da taxa Selic. Mas pergunto: do que adianta essa tal taxa estar nas alturas e o desemprego no fosso, produtos de consumo como a carne com preços nunca vistos, pessoas passando fome, miséria e pobreza voltando cada vez mais… ? E um adendo, pois você mesmo me alertou uma vez que Karnal não é filósofo, é historiador.

    1. minhavidagay disse:

      Sim, Karnal é historiador. Mas preferi deixar assim dessa vez pois ele muito dialoga com a filosofia, principalmente em um livro que trata de felicidade.

      Na verdade a taxa Selic é uma das mais baixas da história e não mais alta.

      No meu ponto de vista, o movimento de queda vem acontecendo desde 2013. Jogar o estado atual do preço da carne, da fome, miséria e desemprego, da qualidade deplorável da educação, da ruptura social, dentre todas problemáticas que o país enfrenta hoje, na conta de um governo com apenas um ano, não adianta mesmo por pior que seja sua estética.

      A política, a economia e a sociedade não são fenômenos objetivos. São subjetivos, orgânicos, processuais, como peças de dominó enfileiradas.

      São acúmulos de experiências, fatos, projetos, planos, atitudes ou omissões que vão cadenciando contextos.

      Então, o que eu realmente entendo – como já me expressei em outros posts – o que vivemos hoje são males inevitáveis. Se o representante fosse outro, a sociedade passaria por algumas mesmas dificuldades, como o desemprego que se consolidava já na vigência de Dilma e outras, dependendo das estratégias econômicas.

      Na crise, na depressão, quem mais paga é o povo e isso é histórico.

      O que nos fez chegar até aqui não é um governo de apenas um ano, gostando ou não de quem foi eleito. O que nos fez chegar até aqui foram os erros e omissões de 10 ou mais anos atrás.

      E isso serve para o mundo. O movimento brusco para a extrema direita ou o “risco” de, em cenário mundial, é consequência.

      Não existe ação isolada em se tratando de sociedade, principalmente hoje, no mundo globalizado. Globalizado, inclusive, por lideranças de esquerda durante os últimos anos.

      1. Murilo disse:

        Ele (o capitão) piorou ainda + a situação. Não dá pra colocar Bolsonaro e a esquerda no mesmo barco. O q Bolsonaro tem feito é de uma irresponsabilidade e de uma injustiça tamanha. É claro q os governos anteriores tbm contribuiram pra esses caos, mas nada se compara ao q estamos testemunhando hj. Os governos anteriores pelo menos preservaram as instituições democráticas… Além do + vc realmente acha q ele vai melhorar algo em 3, 4 anos ??(vc disse q em 1 ano não dá pra avaliar… Ô se dá..) . Ele é um ordinário q pensa em si próprio, pouco se importa com o povo (pobre!!!) brasileiro. Um verdadeiro sociopata!!

      2. minhavidagay disse:

        Eu não disse que em um ano não dá para avaliar. Fazer uma avaliação, com certeza dá já que julgamento é um “dom” inato do ser humano. Podemos julgar alguém em menos de 10 minutos de contato. O que eu disse é que não tem como colocar na conta de um ano de governo (o governo que fosse) o saldo de erros, omissão, corrupção, descuido e despreparo que vem se somando há décadas.

        Bolsonaro é o reflexo do brasileiro. Como Karnal bem diz, avaliando as sociedades perante a linha do tempo da História, é que não é possível um representante bom para um povo ruim. Talvez ele só seja o reflexo do que há de mais ordinário na sociedade brasileira.

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