Por onde andam?

Sem querer, entrei no ano de 2015 com fortes insights políticos e sociais. Talvez seja fruto do momento que tenho vivido, de propostas de mudanças dos rumos da minha vida, que começaram como pensamentos ao final de 2014 e seguem a diante, numa expressiva necessidade de  transformação. Se eu não me afeiçoo pelo comodismo, por uma rotina confortável e pela segurança que as minhas “caixinhas” supostamente me oferecem, talvez esse seja o ano de começar a mexer em tudo isso.

O post de hoje sai novamente do foco principal da temática gay e volto a abordar assuntos que deveriam ter um mínimo de atenção de toda população brasileira pensante:

– Há duas semanas o ministro da fazendo divulgou os aumentos de impostos sobre empréstimos, sobre os produtos estrangeiros e sobre a gasolina que – no mínimo – se elevará em R$ 0,30 nos postos do país inteiro a partir do dia 1o. de fevereiro de 2015. Meu pai traumatizado, num efeito sintomático dos anos antes do Plano Real, já me alertou para encher o tanque até sexta-feira. Ele sabia muito bem o que era enfrentar filas de carros, nos escassos postos pela cidade naquele tempo de inflação, dias antes de anunciado os aumentos;

– Semana passada vieram as notícias econômicas das mudanças que configuram a “carteira assinada”. O governo, num ímpeto de fazer cortes de custos, tirará benefícios do trabalhador;

– A presidente, ainda, vetou o reajuste de 6,5% do imposto de renda de pessoa física, na necessidade de aumentar a tributação arrecadada pelo governo;

– A crise hídrica/elétrica é notícia diária nos principais jornais do país. A primeira afetando todo Sudeste e a segunda batendo à porta de todo Brasil. Como bem alegou o candidato Aécio Neves num dos debates políticos, e foi motivo de risos e sarros da bancada do PT que estava presente, tais problemas são também de responsabilidade federal. Está aí, evidente e gritando na nossa “cara de bunda”;

– Os 20 bilhões que o governo quer poupar com essas práticas de aumento e cortes, é o mesmo valor que custou a refinaria de Abreu e Lima, envolta de corrupção, petrolão, e os demais “ãos” que tem vindo à tona. Quem disse que corrupção não tem a ver com a economia de um país? Ah, sim, ouvi muitos petistas alegarem isso nas eleições do ano passado.

E como a população, no geral, tem reagido a isso? O tucanato/coxinhas aproveitam todas as manchetes para expressarem sua insatisfação à presidente, ao PT e, principalmente agora, aqueles que concederam o voto à matrona. Curiosamente, os petralhas ou estão calados, postando assuntos corriqueiros como se os efeitos dos pontos citados acima passassem desapercebidos, ou estão numa egotrip descarada, como se esse ano fosse o melhor ano da história do planeta.

Se a situação fosse ao contrário, provavelmente o tucanato faria a mesma coisa.

A exceção de um ou outro “petralha pingado”, como o Tico Santa Cruz que deu sua cara para bater e está servindo de laranja aos demais petistas que, novamente, vivem a mesmice de suas vidas como se nada estivesse acontecendo ou fantasiam uma egotrip afirmando que 2015 será o melhor ano da história da humanidade, os adoradores da estrela, do fruto do mar e da mãe, curiosamente, se calaram.

O tempo passa e o comportamento sóciocultural do brasileiro se repete. Se repete e, para variar, sem memória: na mesma medida que a Grande Mãe não deu o braço a torcer em nenhum momento das eleições de 2014 (e agora, a sujeira transborda respingando na face de seu próprio eleitor), lembro bem que na crise de energia que tivemos na época do segundo mandato do FHC, a turma do PT usou tal argumento como estopim da má administração de Fernando Henrique, o que convenceu a população e foi o mote principal para o Lula entrar no poder. Os políticos ficaram tão temerosos desde então que aprenderam a negligenciar a crise hidro/elétrica que estamos passando. O povo brasileiro não gosta de racionamento, gostam de usar a perder de vista, e foi assim que o FHC não conseguiu alavancar o status do Serra para ser o substituto.

Na minha realidade mundana e medíocre, todos os domingos vou até o Pão de Açúcar (mercado de “riquinho”) e compro duas bandejas de iogurte grego light (iogurte de “riquinho”), três pacotes de torrada Wickbold (do tipo cheio de frescuras de “riquinho”), um pote de requeijão light da marca “Aviação” (coisa de “riquinho”) e umas duas caixas de suco de limão “Do Bem” (também de playboy). Tudo isso é o preço da minha dieta que iniciei há dois anos, coisa que só gente da “crasse média para cima” consegue fazer. Tal custo, fora ter que enfrentar alguns probleminhas, como as pessoas pararem porcamente seus carros nas vagas do estacionamento e as filas do caixa-rápido serem compostas pelas “megeras da nobreza” reclamando da falta de funcionários para dar vazão, o valor desses produtos, até dezembro de 2014, saia em torno de R$ 40,00 aqui em São Paulo no Pão de Açúcar.

Fiz as compras essa semana de novo, exatamente iguais, e me custou R$ 60,00.

Se um “riquinho” aqui já está estressado com o assunto, imagine o “pobrinho”?

Voltaremos, então, a sermos um povo alegre, que dá risada para não ter que chorar, por pura falta de compostura? Cadê o gigante na hora que o Brasil mais precisa?

A ala azul está cuspindo sangue na cara do vermelho que finge que nada acontece. Isso é (também) ser brasileiro. Desuni-vos cada vez mais que Eles gostam, meus amigos.

 

 

1 comentário Adicione o seu

  1. Adônis disse:

    Perfeita análise!
    -A crise hídrica é realmente preocupante e foi muito ruim ver todo o oportunismo eleitoreiro em relação a ela durante a campanha. Com todas as minhas críticas ao PT e ao PSDB em relação aos outros assuntos citados no seu texto, MVG, a questão da água tem me chamado mais atenção ultimamente,ela me enoja e me deixa sem esperanças em relação ao Brasil pois não houve nenhum discurso presidencial que conclame a população ,a nível nacional ,a economizar água, um discurso que faça um apelo à nação, uma atitude de estadista que esqueça por um tempo a briga política em prol da sociedade (afinal meu Deus a eleição já passou), já é chegada a hora de retirar a maquiagem de Santanas e afins! Sem um apelo nacional muita gente acha que por Deus ser brasileiro, como disse o ministro de minas e energia, qualquer chuvinha basta. Não será suficiente , em BH por exemplo já tem reservatórios a 5% da capacidade e não foi dita nenhuma palavra pelo Anastasia e nem pelo recém eleito Fernando Pimentel, que prometeu mundos e fundos e um jeito eficiente de governar, e até agora nada.

    – Gosto sempre de frisar que quem não defende, e ataca o PT, não é necessariamente tucano e muito menos coxinha. Votei no PSDB e continuarei votando enquanto não surgir políticos e partidos de tendência liberal. O PSDB está longe de defender uma redução do tamanho do estado, eu o considero uma versão branda do PT, mais para rosa do que para azul rs.( desculpe, estou um pouco arisco com essa questão, qualquer coisa já me acusam de tucano, e talvez esteja procurando chifres em cabeça de cavalo no seu texto rsrs)

    Abraços, do sempre prolixo,
    Adônis!

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