Prazer pelo que se faz

Você sabe do que gosta?

Existe um grande problema entre nós brasileiros-latinos-cordiais, embora não saberia dizer com dados estatísticos, mas muitas pessoas não são (ou não foram) educadas para identificar e se aprofundar naquilo que se gosta.

O meu próprio sócio que, há 3 anos iniciou na minha empresa e veio de uma área totalmente alheia ao que atua hoje, foi questionado por mim nesse período: “você tem prazer com as coisas que você faz por aqui?”.

De imediato, surgiu a minha frente um grande cubo, com uma enorme interrogação em cima de sua cabeça (maior que qualquer jogo do Mario da Nintendo), como se – pela primeira vez – alguém estivesse o questionando isso, sobre o prazer pelo que se faz.

Trabalho necessariamente precisa soar como obrigação para a maioria dos brasileiros? É isso mesmo, produção?

Talvez, essa ausência de sensibilidade para se entender o que se gosta venha – de novo – desse “vilão” ocidental, latino, cordial e brasileiro: as pessoas focam demasiadamente nos fins, no dinheiro, na estabilidade financeira e deixam de analisar com calma, prazer e intimidade o meio, o caminho, aquele trajeto que realmente gostaria de seguir pelo prazer.

Steve Jobs

Esse ícone do empreendedorismo morreu precocemente, mas era um dos grandes porta-vozes dessa cultura do prazer pelo que se faz. Dava inúmeras palestras reforçando a ideia de que de nada adiantava objetivar riqueza sem olhar para si, atrás das camadas das influências externas, para descobrir o fenômeno essencial daquilo que (realmente) nos motiva. Do contrário, a vida seria composta de sequências sucessivas de frustração.

Tudo isso porque, em geral, as pessoas desde muito jovens, são conduzidas para seguir fluxos padrões, apontando essencialmente para um “universo superior do corporativismo” na vida adulta, das multinacionais, da estabilidade e do status que tais empresas inspiram. Na vida pessoal, sob a heteronormatividade, nem se fala! Cansado de escrever sobre isso por aqui…

É a mídia, filmes e seriados, a própria influência dos pais, dos amigos e, essencialmente, da bolha social a qual a criança pertence: se fulano da bolha ganha tal brinquedo, é para meu filho ter. Se cicrano faz tal curso, é para meu filho fazer. Se beltrano passa a comer tal alimento, é para meu filho também comer e se fulano frequenta determinados lugares, é para meu filho ir e, assim, a juventude, os filhos, vão se tornando passivos frente ao meio, sem opiniões próprias e na expectativa de um mundo que vai dizer para sempre, o que deve ser feito, copiado, seguido.

Mas o mundo não vai mesmo. E isso fará o adulto infantilizado sofrer, deprimir, murchar. No final, tal qual a cena emblemática de “The Wall” do Pink Floyd, a boiada segue idêntica numa esteira e despenca dentro de um moedor de carne. Estou falando de um filme da década de 70, queridos leitores.

Metaforicamente poderia ser assim.

Namorado professor

Já citei que, como meu namorado é professor do ensino colegial público, tenho uma enorme janela para poder espiar uma realidade que passaria longe da minha própria bolha. E isso muito me instiga e muito me orgulha pois, independentemente do contexto socialmente desvalorizado, ele esbanja o prazer de atuar naquilo que sempre quis.

O ponto que trago hoje, a partir dessa janelinha aberta, é a inspiração contrária as linhas anteriores, de vê-lo totalmente vocacionado, orientado e feliz em fazer aquilo que gosta. A maioria dos olhares neste texto tende a julgar: “professor do ensino público. Está fodido”. E esse “fodido” é, principalmente, no sentido da grana, não é?

É.

Grana, porque a cultura latina-cordial-brasileira coloca essa finalidade como prioridade. Ao passo que, Steve Jobs, eu e talvez meia dúzia que eu conheça (o que inclui meu namorado), entenderam desde muito jovens a importância de encontrar a gana (e não grana) sobre aquilo que se gosta.

O resultado é, por exemplo, uma sala que há 2 meses era frequentada por 4 ou 5 alunos no período noturno, conta agora com mais de 20. Alunos motivados e incentivados, envolvidos – basicamente – pela própria energia que move meu namorado. Além, claro, do conhecimento que lhe cabe transmitir.

Isso é ser professor. Do contrário, são pessoas que se intitulam “educadores” mas que, igualmente, se atiram no mesmo moedor de carne do Pink Floyd, cumprindo seu papel no próprio sistema.

Ensino público no Brasil

Foda-se Bolsonaro. Foda-se o baixo nível de incentivo da classe dos professores. Foda-se esses papéis e esteriótipos convenientemente assumidos e conectados. A grande maioria dos educadores (ou daqueles que se dizem ser e atuam em sala de aula) estão condicionados e acomodados nesse mesmo sistema que diz que os professores não são valorizados. E, assim, vestem a carapuça e não movem o dedo mindinho para aproveitar as escolas, que são definitivamente centros transformadores, para provocar mudanças em seus alunos.

As salas dos professores viraram grandes muros úmidos e empoeirados de lamentações, há décadas, desde o tempo em que minha mãe atuava. Esse comportamento moribundo também faz parte do sistema, desse mesmo que os próprios professores criticam. Mas são eles, peças integrais e influentes do mesmo, quando também, usam o receptáculo de ensino para reclamar e aguardar uma motivação de “Deus”.

E, curiosamente, não deixam de viajar para o exterior, tirar licença prêmio de 3 meses e se ausentar de dar aulas porque não se sentem motivados!

Mas pare um segundo: em um ambiente escolar não são os professores que devem ser os centros motivadores? Não é esse o papel pela ordem e conceito da coisa toda? Se não cumprem esse papel essencial, porque caralha estão nas escolas e se entitulam professores?!

Mãe e namorado, professores

Minha mãe, a época, quando ainda lecionava, dizia que ser professor era um sacerdócio. No sentido de que precisava gostar muito, mas muito mesmo, para ser professor.

Consigo enxergar esse prazer pelo que se faz no meu namorado. Efetivamente, faz toda diferença para ele e, por consequência, atinge seus alunos essencialmente pela motivação que reverbera.

Ele tem apenas 23 anos, prestes a completar 24 e tem um mundo inteiro ainda para somar em experiência profissional. Mas é possível dizer, diante desse sistema rígido, acomodado e passivo, que em apenas 2 meses (esse é o período que ele tem de atuação prática) tem conseguido reacender o objetivo fundamental de um professor dentro de uma escola.

Seus colegas têm torcido o nariz pelo fato dele encher uma sala de aula. Não por inveja, dele realizar um feito “grandioso”, mas porque uma sala cheia, para o próximo professor, dá mais trabalho.

É a caralha. Ao cubo. Mas quem disse que para irmos a fundo com aquilo que nos motiva não existem barreiras?

Eu contra o sistema

O sistema me disse um dia, quando eu tinha 22 anos: “venha para o mercado corporativo, da agência de publicidade multinacional. Você tem portfolio para isso! Adquira o status por estar numa ‘agência de marca’, lamber as bolas dos caras importantes, ter a chance de esbanjar trabalhos premiados nas caras dos colegas, entrar em competição com eles, orgulhar seus pais e familiares por ostentar tais dotes e solfejar ‘ingleisismos’ e as mesmas meia-dúzia de assuntos que todos se deslumbram ao falar, no meio”.

Eu disse não. Simples. E se passou pela minha cabeça se, eu não aderisse ao modelo, eu iria ser excluído e entrar num buraco vazio? Sim, com certeza.

Contudo, todavia, cheguei onde cheguei.

Faces da moeda

Com o texto de hoje, não estou negando que o sistema desvaloriza a classe dos professores. Isso é uma realidade sabida, conhecida e experenciada desde que a minha mãe fora atuante e que eu frequentei o colegial público por três anos. Estou falando de 1993 e façam os cálculos de como tudo está igual se não pior, desde então.

Eu não preciso ouvir reforços dessa verdade que é sacramentada e explorada, convenientemente, em épocas de eleição tal qual massa de manobra polarizada, a favor ou contra.

A minha crítica volta a essa natureza latina-brasileira-cordial, no aguardo de um terceiro ou quarto – externo – que nos dêem um empurrãozinho, como se fôssemos incapazes de encontrar as essenciais motivações que nos fazem bons e felizes em alguma coisa.

O fato é que a grande maioria dos professores do ensino público soma-se a esses, que enquanto aguardam motivação exterior, vivem de lamentos, de acomodação e jogam totalmente a favor do próprio sistema que tantos criticam. Tal educador não é um bravo guerreiro contra o modelo, mesmo quando aparente em épocas de eleição ou em uma manifestação do contra.

Ele é o próprio sistema, meus queridos.

Não é difícil fazer a diferença em um contexto árido como esse, da educação pública. Mas é fundamental ter prazer pelo que se faz. Isso, sim, é um despertar de poucos neste país, independentemente da área. E esse valor do prazer pelo que se faz transcende o aspecto profissional.

Abrange tudo.

14 comentários Adicione o seu

  1. Olha.. a sociedade brasileira está no nível 1 e 2 na escala Maslow de auto-realização. Acho que culpar o povo brasileiro por não fazer o que gosta sem levar em conta que a sociedade se baseia justamente em empurrar a maioria das pessoas para fazerem o que não gostam, me parece equivocado. Para sermos capazes de buscar pela auto-realização, há de se ter um chão firme, estável e frutífero que nos sustente. Eu, por exemplo. Por viver com os meus pais, por não ter uma perspectiva sólida quanto ao meu futuro profissional no sentido cru de ”ganhar dinheiro”, por causa de um acúmulo de circunstâncias pequenas [intrínsecas e extrínsecas] porém negativas que resultaram no meu hiato atual, tenho tido tempo de sobra para me dedicar ao que gosto. No mais, também acho precipitado pensar que todo mundo tenha paixões ou interesses fortes que estão relacionados com alguma área de relevância artística ou intelectual. Tem muita gente que tem como interesse forte ou paixão, por exemplo, novelas ou jogo de futebol, e, a priori, é assim que elas são e não há nada de absolutamente errado nisso.

    1. Estão ou estejam, perdão pela gramática de improviso

      Pensando rápido, eu falo e escrevo ”errado’ ou mais informalmente.

    2. minhavidagay disse:

      A sociedade brasileira está no nível 1 e 2 da pirâmide de Maslow porque os últimos 20 e poucos anos de gestão foram fracassados. Tínhamos grana e estrutura (o tal chão firme que você comentou) a partir de 1994.

      Em 1994, falava-se do nascimento Tigre Asiático. A China não era nada além de um país ultra populoso de uma maioria na miséria. Um Brasil infinitamente mais populoso. Nos 20 e poucos anos que vieram depois, souberam planejar e investir com precisão em pontos que tinham que ser investidos e boom… está aí a referência que é hoje (com pros e contras, mas infinitamente mais estruturada que há 20 anos).

      Não há nada de errado em ser jogador de futebol ou fã de novelas. Mas se os representantes, nos últimos 20 e poucos anos, tivessem investido claramente e de maneira planejada onde tinha que se investir, teríamos muito mais espaço para formação de jogadores de futebol ou diretores ou atores.

      É essa conta que a esquerda arbitrária não percebe. A autocrítica inexiste. E é uma maioria.

      1. A China é um país ditatorial que superexplora a sua população trabalhadora. É referência em termos econômicos de desenvolvimento mas com quais custos e também na área ambiental
        Desculpa, mas copiar todo o modelo falho desenvolvimentista e industrialista ocidental, etapa por etapa, não me parece muito criativo nem tão prudente. EUA fez um monte de m… em termos ambientais e sociais, continua aliás, mesmo que sua propaganda reluzente seja bastante convincente, mas isso não significa que só exista um único modelo de civilização tecnológica avançada, especialmente se para alcançá-la, a ponderação no trato com o meio ambiente e com o meio humano tenha de ser baseado em toda esta m… de merda mesmo.

  2. ”E, curiosamente, não deixam de viajar para o exterior, tirar licença prêmio de 3 meses e se ausentar de dar aulas porque não se sentem motivados!”

    huuummm.. Acho que o principal elefante branco da escola, não apenas no Brasil, mas especialmente, não é o baixo salário dos professores ou as condições físicas das escolas, e sim, os alunos… Rapaz… Dar aula neste país, quer seja em escola pública ou privada, é quase o mesmo que padecer no inferno. Se o povo brasileiro, em média, é mais conhecido por sua falta de bons modos, as novas gerações parecem pioradas. Uma combinação de um monte de atropelos. É a pedagogia progressista que exagera na dose quanto a não punição de comportamentos reprováveis bem como na pulverização da autoridade do professor, aliás, fenômeno aliado ao bojo cultural da atualidade, em que a ideia de respeito pelos mais velhos, do mais jovem pelo adulto, por exemplo, e claro, um respeito coerente ou racional, parece que deixou de ser normal cultural faz um tempo. Nem é apenas ”respeito por alguém mais velho que vc” mas por alguém QUE VC NÃO CONHECE. Aqui no Brasil, é muito comum, e vc sabe disso, que perfeitos estranhos troquem farpas, ou que um estranho o aborde de maneira hostil. Alguns diriam que é ”terra de índio”, mas a maioria não usa cocar nem faz dança da chuva, são brazucas urbanos mesmo, e pior quando é em cidade pequena, como é o meu caso. Enfim, quem mais tá pagando o pato de todos esses problemas: famílias desestruturadas, com pais distantes, filhos criados por youtubers, precarização do sistema laboral, etc, são os professores.

  3. Murilo disse:

    Mas como haverá professores motivados com baixos salários??? Desculpa a ignorância ok?! Mas qria entender…. Dinheiro é sim importante, afinal os boletos não param de chegar não é mesmo? É foda… É desanimador… Eu acho SUPER d+ pessoas como seu namorado (é de pessoas assim q precisamos)… Eu fiz Letras , mas parei no 2° ano (mas por conta da saúde mental fragilizada na época e devido a outros sonhos q tinha do q pensando em grana … Ou na falta de… Na vdd na época estava “perdidao”)… Eu estagiei numa escola municipal, e em uma das salas os alunos pareciam “bichos”…. Era desesperador, eles não paravam, não prestavam atenção… Ok vdd, a professora nitidamente não tinha uma boa formação sabe… Mas muito difícil trabalhar desse jeito! Eu saia até deprimido as vzs da escola pensando “meu deus é isso q vários prof do Brasil passam diariamente nas salas de aula em troca de um salário tão injusto?”, “O q se tornarão essas crianças/adolescentes”???

    1. minhavidagay disse:

      Querido Murilo e aproveito e complemento minhas colocações para o “Gouine Side by Side”: é óbvio, nítido, transparente e “secular” que a classe docente é desprivilegiada e pouco valorizada. Essas afirmações são indiscutíveis e fazem parte da “velha opinião formada sobre tudo”.

      O que deixei claro no texto é que essa ótica sistêmica é limitada, não conta toda história. Determina o professor como um mártir a parte do sistema (principalmente quando ele, supostamente é vítima de uma classe partidária de direita, ou de alunos selvagens).

      O que eu deixei expresso no texto é que o professor também é o sistema. Entregue as corrupções e sonegações da classe, maquiando dados para a Secretaria da Educação. Promovendo greve em dias próximos aos feriados a ponto do aluno perder o bimestre. Tirando licenças infindáveis por causa de “estresse” e consumindo dinheiro público. Aproveitando-se de licença prêmio, entre outros benefícios pois a realidade é que professores concursados não deixam de viajar para o exterior, sim.

      Toda essa corrupção justifica a grana curta em relação a outras áreas? Bem, foi por essas e outras corrupções que a esquerda afundou e serviu de apoio/propulsor para abrir alas a atual governança.

      E neste contexto, quando o olhar alheio é entregue a velha opinião formada, o que não deixa de ser uma verdade, perdemos a visão mais abrangente, quando esse mau professor (e são muitos, quando não a maioria) é engrenagem do mesmo sistema. Burlando leis e regras para tirar proveito próprio e prejudicando diretamente o aluno, o ensino, a aprendizagem, a educação, enfim, o que deve ser pregado em um ambiente denominado escola.

      A novidade então é que, ao contrário do que uma maioria discursa e prega, o corpo docente não é um elemento fora do sistema somente vestindo a carapuça de vítima. Ele é parte integrante e – dependendo da conduta – corrobora a toda parte social desgraçada. São coniventes, inclusive, a selvageria discente.

      O sistema sangra mediante a tanta corrupção. E estão aí os docentes abrindo mais o buraco da ferida. Fazendo sua parte suja no mesmo sistema que gostaríamos de mudar.

      No mais, fiquemos com a velha opinião formada sobre tudo que ela também está certa. Mas é incompleta e dá brechas como os pontos citados. Trarei mais posts sobre essas óticas a medida que eu tiver conhecimento.

      Como Eliane Brum sugeriu no texto que apontei para o “Gouine Side by Side”, se a gente quer zerar a conta, tem que zerar, zerar. A carapuça de vítima serve para infindáveis oportunistas.

      A priori, o oportunismo é parte do DNA da cultura latino-brasileira.

      1. ”O que eu deixei expresso no texto é que o professor também é o sistema. Entregue as corrupções e sonegações da classe, maquiando dados para a Secretaria da Educação. Promovendo greve em dias próximos aos feriados a ponto do aluno perder o bimestre. Tirando licenças infindáveis por causa de “estresse” e consumindo dinheiro público. Aproveitando-se de licença prêmio, entre outros benefícios pois a realidade é que professores concursados não deixam de viajar para o exterior, sim.”

        Existem várias realidades ou vários professores. Tem aqueles em situação melhor e a maioria, pelo que parece, que não está.
        E claro, também tem AQUELES que se aproveitam para cometer atos ilícitos, dentro da legalidade corrente..
        Não são TODOS…

        No mais eu não vejo problema de um professor concursado poder viajar para o exterior, pois seria ótimo se todos pudessem.

  4. Chemistry disse:

    Olá, tudo bem? Eu sou o namorado do “MVG” e por estar há 4 meses no Estado como professor, tenho alguns pontos a expressar aqui.

    Primeiramente, estou muito feliz com o trabalho que realizo nas 3 escolas. O sálario pode deixar a desejar em alguns aspectos, porém o meu trabalho final a cada bimestre vale mais que meu sálario.
    Agora, em uma sociedade em que não há valorização pelo trabalho (levando em consideração que tivemoss aproximadamente 20 anos de um partido voltado para os trabalhadores (PT), é díficil haver motivação dentro da sala de aula.

    Professores que faltam, reclamam e principalmente expoem suas vidas particulares (que ao meu ver, é informal e desnecessário, até porque eu não vejo o motivo concreto e útil para os demais que o cercam), querem ou almejam jovens esforçados e dedicados aos estudos? Como um professor que está mais fora da instituição educacional do que dentro, terá uma imagem positiva? Que valor é dado? Professores(as) que ao bater o sinal, ficam enrolando para subir nas salas e que não são pontuais!!
    Sem contar comigo, quantos professores chegam cedo e já vão direto para a classe, com o intuito dos educandos entrarem em sala e já estar com a matéria pronta no quadro?
    Muitos entram em greve, aquela greve de faltar para ficar em casa descansando, sabe? São totalmente ativos… É coerente se manifestar e deixar jovens sem aula? Para mim…. Não, se formos protestar que seja dentro da escola.
    São questões que precisam ser repensadas e criticadas.

    Os alunos são demostivados e são o que são, por fatores internos e externos. Como um aluno estará totalmente disposto a estudar com familiares que se drogam? Ou que o molesta? Ou que o agridem? As histórias trágicas são muitas e neste caso sim! Os fins justificam os meios.

    Jovens carentes e totalmente desestruturados, logo percebo que um dos focos para tal incitação pelo conhecimento é a atenção, carisma e perseverança. Para traze-los ao mundo da Química/Matemática (matérias das quais atuo), tenho que dar atenção a eles o tempo todo, pergunto se estão bem, se estão copiando, se estão com dúvidas, vou de mesa em mesa auxiliar aluno por aluno, faço copiarem. Sou sarcástico em sala de aula e este é um dos pontos que prende a atenção deles. Cultivo muito a cultura do respeito e da educação, deixo-os usarem celular e conversarem em minha aula, mas apartir do momento que eu for explicar o conteúdo, eles devem manter o foco em mim. Tal processo ocorre naturalmente e a aula flui de modo positivo.

    Se eu consigo mante-los focados e participativos, por que os demais colegas tem dificuldade? Acredito que eu não seja nenhum mago da educação (rs), mas a vontade de educar é o fator diferencial em minhas aulas. Sair do modelo clássico de educação em que o professor é a autoridade maior e os ”submissos” devem seguir as leis e normas impostas pelos jesuitas do séc XXI é difícil (principalmente essa geração de dinossauro).

    Se os alunos agem como animais é preciso adestra-los! Em minhas apresentações como novo professor da turma eu sempre digo: ”se vocês faltarem com respeito e educação, eu paro a aula e dou uma aula de etiqueta, ensino-lhes a falar, sentar, a pegar em um lápis e assim que vocês aprenderem eu volto com o conteúdo”. E até hoje eu não precisei agir deste modo, acredito que o simples fato de pedir educação e respeito já faz com que isso flua de modo natural.

    O problema como MVG vem mencionando é que o brasileiro por si só não quer trabalhar, grande parte incorpora o papel macunaima. Em uma sociedade do espetáculo (referência: Guy Debord – Sociedade do Espetáculo), será difícil assumir o próprio erro, lembrando que são poucos aqueles que fazem uma auto analise/reflexão do seu eu e de seu desempenho no trabalho. Poucos são os professores que trabalham no final de semana preparando aula ou deixando suas atividades em dias. Ouço muitos dizerem que estão sem tempo para corrigir tudo, mas não deixam de assistir o domingo da tarde por nada. Logo entende-se os resultados da educação brasileira.

    Essas referências profissionais que trago nem são uma das melhores escolas públicas.

    O professor tem sua reputação pelo que é. Professor tem seu salário pelo que faz. Professor é desvalorizado pelo seu trabalho.

    Não soa engraçado? alunos comentarem que eu seja um dos professores que mais passou conteúdo, exercício e formas de avaliação? Ou seja, caio em meus pensamentos que os demais colegas não devam passar tanta coisa (não generalizando). Ressalto ainda, que meu trabalho é baseado em produtividade e que eu aproveito cada segundo e cada minuto dos 50 minutos de aula. Posso dizer, eles escrevem… E muito!! Não só escrevem, mas como escutam e participam.
    Notas? Suma maioria positiva (na minha matéria).

    Só para finalizar meu brainstorming… O que é ou como é a educação para os educadores? Se há corrupção na política, há na educação.
    E muitos são professores!
    A ideia de que professor é um coitado e injustiçado tem que ser desfeita, e tem que mostrar a verdadeira face da classe ”trabalhadora educantil”.

  5. ”Professores que faltam, reclamam e principalmente expoem suas vidas particulares (que ao meu ver, é informal e desnecessário, até porque eu não vejo o motivo concreto e útil para os demais que o cercam)”

    E qual seria o problema disso?
    Desnecessário por quê?
    Informal, com certeza…

    Antes de se usar como exemplo absoluto pense nas perspectivas de cada professor. Muitas vezes, dois professores que demoram para entrar em sala de aula têm razões completamente diferentes para fazê-lo. Por exemplo, por puro desleixo ou porque sofre ”bullying” pelos aluninhos ”desmotivados”. A maioria dos estudantes no Brasil não quer aprender, adquirir conhecimento. Triste, desanimador, mas verdadeiro. Afinal, um país cuja média de QI da população não passa de 90, é esperado que uma maioria não dará o valor necessário ao conhecimento, em especial quando, somado a essa ”deficiência” [relativa] ou incorrespondência vitalícia, de um indivíduo com capacidades cognitivas limitadas jamais conseguir apreender ao menos metade dos conhecimentos passados pelos professores nem se aprofundar em uma área, ainda termos uma das piores ”elites” do mundo, diga-se, um ranking medonho, que tem mostrado sua verdadeira face a partir do caos instalado desde o golpe [não vi nenhuma melhoria na sociedade desde o ”temer”] , de parasitas, egoístas, que não estão nem aí para o país, apenas para os seus lucros, e são safados o suficiente a ponto de pegarem ”símbolos nacionais” como a bandeira e os hasteassem como se representassem os seus ideais mais sinceros. Todos os países com os melhores índices escolares têm médias de QI altas, acima de 100 [padrão Greenwich]

    ”Os alunos são demostivados e são o que são, por fatores internos e externos. Como um aluno estará totalmente disposto a estudar com familiares que se drogam? Ou que o molesta? Ou que o agridem? As histórias trágicas são muitas e neste caso sim! Os fins justificam os meios.”

    Exemplos ABUNDANTES de exceções à essa regra mecânica ”o ambiente não é propício, logo eu também não serei”. inclusive de pessoas que se consagraram em alguma área. Nem com isso incentivo ao estoicismo compulsório e compensatório causado por PARASITA$$ idiocráticos.

    ”Muitos entram em greve, aquela greve de faltar para ficar em casa descansando, sabe? São totalmente ativos… É coerente se manifestar e deixar jovens sem aula? Para mim…. Não, se formos protestar que seja dentro da escola.
    São questões que precisam ser repensadas e criticadas.”

    E por que não deveriam entrar, cara pálida, se o salário é miserável, as condições de trabalho não péssimas [especialmente com salas superlotadas]

    Ah, que lindo. Protestos dentro da escola que não resultarão em nada. Viu o que aconteceu no Chile?
    Gostou?

    ”Jovens carentes e totalmente desestruturados, logo percebo que um dos focos para tal incitação pelo conhecimento é a atenção, carisma e perseverança. Para traze-los ao mundo da Química/Matemática (matérias das quais atuo), tenho que dar atenção a eles o tempo todo, pergunto se estão bem, se estão copiando, se estão com dúvidas, vou de mesa em mesa auxiliar aluno por aluno, faço copiarem. Sou sarcástico em sala de aula e este é um dos pontos que prende a atenção deles. Cultivo muito a cultura do respeito e da educação, deixo-os usarem celular e conversarem em minha aula, mas apartir do momento que eu for explicar o conteúdo, eles devem manter o foco em mim. Tal processo ocorre naturalmente e a aula flui de modo positivo.”

    Pare de passar pano para a tal

    CORDIALIDADE do brownzileiro, tal como o seu namorado bem pontuou…
    Aliás, eu devo ser bem cordial porque tenho pavio curto, de italiano da roça mesclado com esclavo, português e o caralho a quatro. Estou para escrever um texto exatamente sobre isso, aliás, eu já tenho uns dois em uma página onde posto poesias e textos, comentando sobre o desprezo categórico da escola em relação à DIVERSIDADE COGNITIVA, de aceitar que não serão todos os estudantes que irão se tornar ”alunos nota 10”, de parar de querer encaixar uma diversidade dentro de um único padrão ”ideal’. Não basta mostrar ligações químicas sem saber se fulano quer aprender e/ou tem capacidade para aprender. Os conhecimentos que nós mais cristalizamos são incorporados por nossas personalidades ou motivações intrínsecas e estereotípicas.

    Vc está usando a sua situação como exemplo, mas existe uma diversidade de situações potencialmente piores que a sua, incluindo a capacidade psicológica do professor de lidar com ela. A escola brasileira virou um depósito de vândalos, não todos, é claro e óbvio.

    ”O problema como MVG vem mencionando é que o brasileiro por si só não quer trabalhar, grande parte incorpora o papel macunaima. Em uma sociedade do espetáculo (referência: Guy Debord – Sociedade do Espetáculo), será difícil assumir o próprio erro, lembrando que são poucos aqueles que fazem uma auto analise/reflexão do seu eu e de seu desempenho no trabalho. Poucos são os professores que trabalham no final de semana preparando aula ou deixando suas atividades em dias. Ouço muitos dizerem que estão sem tempo para corrigir tudo, mas não deixam de assistir o domingo da tarde por nada. Logo entende-se os resultados da educação brasileira.”

    Tem que estar bem mal informado para concluir que o brasileiro não trabalha ou é preguiçoso, ainda mais vindo da cidade onde mais se trabalha. É muita besteira pra se ouvir, de um super privilegiado que escreve bonito porém um monte de argumentos bem sofríveis e de um outro que valoriza a resiliência acrítica. Não tem como trabalhar MAIS quando o salário é uma M…, o custo de vida [obrigado empresários] é muito alto, a política é outra M… E NÃO É SÓ O PT, QUEM DERA SE FOSSE APENAS UMA ÚNICA SIGLA, O PT, que ficou no poder por 13 anos não é comparável à direita conservadora que tem estado no poder desde as capitanias hereditárias. Cometeu um monte de erros graves, eu tenho irc com petista do mesmo modo que eu tenho com bolsomínion. Tem que sair da bolha do ”eu acho” e ver para crer, para não sair por aí dizendo que ”brasileiro não quer trabalhar”… No mais, valorizar em excesso o trabalho acima da qualidade de vida é praticamente o mesmo que apoiar regime de semi-escravidão, MESMO se não tivesse uma elite parasitária que ganha muito para fazer quase nada, confortáveis em seus ambientes com ar condicionado, eu disse mesmo, porque tem, e aí que é ainda pior.

  6. ”Não soa engraçado? alunos comentarem que eu seja um dos professores que mais passou conteúdo, exercício e formas de avaliação? Ou seja, caio em meus pensamentos que os demais colegas não devam passar tanta coisa (não generalisando). Ressalto ainda, que meu trabalho é baseado em produtividade e que eu aproveito cada segundo e cada minuto dos 50 minutos de aula. Posso dizer, eles escrevem… E muito!! Não só escrevem, mas como escutam e participam.
    Notas? Suma maioria positiva (na minha matéria).”

    Eu pensei que expor a vida pessoal fosse desnecessário… Desde o início até agora, eu vi você usar o seu exemplo, e existem parênteses relevantes quando se dispõe a argumentar por essa via, que eu já tentei mostrar. No mais, ”escrever muito” talvez não seja o mais importante, mas aprender, e para isso, o excesso de palavras pode ser mais problemático que acessório. Tenho críticas profundas em relação aos métodos vigentes de ensino, já partindo por esses fatos muito inconvenientes porém fundamentais, que para os excessivamente progressistas, os adjetivariam de ”positivista” e até fascista.

    Em um texto ainda a ser publicado [não no meu blogue para lgbts], falo da necessidade do autoconhecimento como intermediador entre o estudante e o conhecimento, aliás, nós também, que já passamos desta fase.

    ”Só para finalizar meu brain storm… O que é ou como é a educação para os educadores? Se há corrupção na política, há na educação.
    E muitos são professores!
    A ideia de que professor é um coitado e injustiçado tem que ser desfeita, e tem que mostrar a verdadeira face da classe ”trabalhadora educantil”.”

    Disse que não generalizaria… está na hora de acalmar seu brain storm e ver essa contradição que usou para fechar o seu comentário.
    Não nego que haja corrupção dentro do meio escolar, discente, não mesmo. Agora, quando finaliza deste jeito de ”mostrar a verdadeira face da classe ”trabalhadora educantil”, já extrapolou o limite da ponderação, até por não ser verdade que a maioria dos professores sejam de aproveitadores.

    No meu modo de entender, é relevante saber a ideologia de uma pessoa para ver se ela se comporta com base nela. Professores corruptos, ineptos ou rígidos [pouco criativos] eu poderia chutar com certa margem de segurança que seriam mais para a ”direita” no espectro ideológico, já que quanto mais para lá, menos idealista//perfeccionista.

  7. Chemistry disse:

    Me desculpa, mas não é a esqueda ou a direita que definirá se o professor é ou não adepto a lecionar. Nas escolas públicas grande parte é de esquerda, e essa mesma esquerda é que falta, é que reclama, é que não produz.

    Referente ao término do pequeno brain storming, não estava generalizando, também não vejo o pq de ficar mencionando durante o meu texto que não estou generalizando.
    |Trouxe sim referências da minha vida como professor, para as pessoas perceberem o quanto o meu trabalho é distinto dos demais e sim existem professore iguais a mim e até mesmo melhores.

    É muito contraditório ver pessoas criticando os alunos, pelos seus comportamentos em sala de aula e colocar o professor em uma zona de proteção, dizendo que ele é o desfavorecido neste contexto sem base e sem parametro….

    Lembrando que há professores que nem preparam a suas aulas de modo seguro e principalmente revisado, simplesmente acessam sitesaleatórios e passam para os alunos.
    Oq que esses profissionais estão fazendo lá, fora gastar dinheiro público e justificar a péssima qualidade de ensino e gerações selvagens?

    Vamos olhar a educação de forma integral, por exemplo: Em contexto histórico, estamos sempre copiando modelos de educação de fora, porém estes mesmos modelos não conseguem atingir o seu objetivo, então pensemos, qual é o modelo educacional brasileiro? Existe? Até o momento não foi discutido isso, nenhum profissional falou a respeito, nenhum político levantou essa teoria/hipótese.
    É aquele jeitinho brasileiro de olhar para diretrizes ultrapassadas, se preocupam com o uniforme, com o conteúdo da apostila – este ano foi retirado do 8° Ano as apostilas, porque na matéria de sociologia estava se tratando a questão de gênero, e o governo de SP decidiu tirar as apostilas, lembrando que as novas apostilas contém todas as matérias -, felizmente ou infelizmente nosso governo atual é de direita, porém tivemos ministros da educação de esquerda que não criaram nenhuma possível solução de melhoria, não houveram projetos que agragacem todos os estudantes – me refiro os estudantes de necessidades educativas especiais -, quantos educadores não dão a atenção para os alunos de necessidades educativas especiais? Escuto muito na sala dos professores que como eles vão atender este aluno com uma sala de 30 ou 40 alunos?

    Não há esforço nenhum ou melhor, vontade por parte dos professores. Percebo que grande parte almeja uma sala em que eles entram e todos os alunos se comportem da maneira que o educador gostaria…. Mas em um contexto como o nosso Brasil, que vem de múltiplas culturas, este modelo almejado está longe de ser realizado.

    Este é o cenário, e o professor que se aproveita deste sistema existe sim, em uma quantidade maior do que se imagina, tirando qualquer honraria da classe.

    1. ”É muito contraditório ver pessoas criticando os alunos, pelos seus comportamentos em sala de aula e colocar o professor em uma zona de proteção, dizendo que ele é o desfavorecido neste contexto sem base e sem parametro….”

      Já fui aluno. O fato de um professor não se sair bem NÃO SIGNIFICA que se deva passar a mãozinha na cabeça dos pobrezinhos, capetas, super mal educados, que trata mal até desconhecidos. Sou quase anti-brasil a partir de minha experiência e pelo que percebo mas deve ser porque sou muito idealista em relação a quase tudo.
      O seu pensamento que é contraditório e falho. Vc CONTINUA generalizando. Olha, minha mãe foi professora por mais de 30 anos e uma excelente professora, não por ser minha mãe, não passo pano pra família, detesto mentiras ou qualquer coisa parecida. Mas ela nunca foi reconhecida pelo seu desempenho, pelo seu talento. Tá cheio de politicagem na classe dos professores ASSIM COMO TEM EM QUASE TODAS AS PROFISSÕES… né
      É o tal Q.I. Não este que falei, mas o ”quem indica”. Ainda assim, eu não acredito que os meus professores tiveram um papel absoluto na constituição de minhas capacidades cognitivas. Este é um dos fatos mais inconvenientes para a classe. Vcs não têm poderes mágicos. Por exemplo, eu comecei a me apaixonar por geografia, num sentido tão profundo de intimidade, que a usava em minhas brincadeiras, desde então. Na sétima e ótima série, apareceu uma professora de geografia que ficou encantada comigo. O tipo de professora que dá prova para o desenvolvimento de resposta e não decoreba e múltipla escolha. Ocorreu uma coincidência, uma confluência de mentes até bem parecidas.

      ”Vamos olhar a educação de forma integral, por exemplo: Em contexto histórico, estamos sempre copiando modelos de educação de fora, porém estes mesmos modelos não conseguem atingir o seu objetivo, então pensemos, qual é o modelo educacional brasileiro? Existe? Até o momento não foi discutido isso, nenhum profissional falou a respeito, nenhum político levantou essa teoria/hipótese.”

      Pois é. cadê aquele meme da Gretchen*
      Mas isso é no mundo todo. No mais, a escola deve estar diretamente relacionada com o mercado de trabalho e com a vida pós-escolar do estudante. Deve, mas em um país e não nesta bananeira do inferno.

      ”É aquele jeitinho brasileiro de olhar para diretrizes ultrapassadas, se preocupam com o uniforme, com o conteúdo da apostila – este ano foi retirado do 8° Ano as apostilas, porque na matéria de sociologia estava se tratando a questão de gênero, e o governo de SP decidiu tirar as apostilas, lembrando que as novas apostilas contém todas as matérias -, felizmente ou infelizmente nosso governo atual é de direita, porém tivemos ministros da educação de esquerda que não criaram nenhuma possível solução de melhoria, não houveram projetos que agragacem todos os estudantes – me refiro os estudantes de necessidades educativas especiais -, quantos educadores não dão a atenção para os alunos de necessidades educativas especiais? Escuto muito na sala dos professores que como eles vão atender este aluno com uma sala de 30 ou 40 alunos?”

      POIS É. É sempre a tal pseudo-esquerda brasileira petista e o seu legado, 1/3 positivo, 70% lixo..

      Minha mãe tinha a mesma preocupação. Sobrecarga de funções.. querem que o professor se transforme num canivete suíço.

      ”Não há esforço nenhum ou melhor, vontade por parte dos professores. Percebo que grande parte almeja uma sala em que eles entram e todos os alunos se comportem da maneira que o educador gostaria…. Mas em um contexto como o nosso Brasil, que vem de múltiplas culturas, este modelo almejado está longe de ser realizado.”

      Como eu tenho uma vibe bem ”evolutiva”, acho que no Brasil tem havido um emburrecimento generalizado da população. É um fenômeno mundial mas aqui está mais. Não vou prosseguir se não sofrerei represálias, potencialmente, mas tem acontecido sim. No mais, as estruturas culturais mudaram muito, e o professor, por causa tanto da pedagogia progressista excessivamente idealista quanto do capitalismo transformando-o em um mero empregado que ”tem que” aumentar a massa encefálica do zé povinho que emporcalha este lindo país. Pais que passam a mão nos fiote, nas criOnça, difícil, o contexto é bem complexo, tem coisas fáceis de serem percebidas. Além do problema da sala de aula também a questão hierárquica, que deveria ser mais estudada, já que em toda sala sempre tem aqueles que organizam, que incentivam a bagunça em horas inapropriadas. Também acho que este currículo que trata todos os estudantes como se fossem iguais em capacidades cognitivas e motivações psicológicas [são seres humanos em desenvolvimento e costumam ter motivações próprias de suas respectivas idades com exceção dos superdotados] aumenta a alienação deles em sala de aula, do tipo, tá lá o professor na frente passando as leis da física enquanto, em pensamento, eles estão mais preocupados com a festinha ou com o rolê do fds, ou mesmo, não conseguem achar naquilo uma conexão, sabendo até de maneira intuitiva que não será absolutamente útil em suas vidas. São pragmáticos, utilitários, tendo o seu lado ruim é claro, quanto a serem assim. Se eu não vou usar a fórmula de báskara por que eu deveria aprendê-la* Muitos pensam assim, de maneira mais consciente ou não, mas chegam no mesmo lugar ou sala comum onde têm vários elefantes brancos na mesa.

      1. Um errinho
        Existem pessoas que se definem ideologicamente de esquerda mas só são por expectativas políticas ou sociais. Não são no sentido profundo de suas consciências, leia-se, ”de esquerda”, contra desigualdades sociais, sofrimento e exploração, preconceitos… E sim, também tem aqueles que combinam uma disposição para certas doses de mal caratismo com idealismos dessas naturezas, mais progressistas. A maioria dos professores se definem de esquerda hoje em dia porque a maioria dos professores escolhem a profissão por motivos vocacionais. Dinheiro atrai mais o direitista do que o esquerdista. É só olhar para a composição ideológica de faculdades tipo de economia. Mas, NÃO É FÁCIL vc extrapolar sua situação psicológica no lido com os seus alunos, sua situação circunstancial, de lecionar nas melhores escolas públicas de SP, partindo do pressuposto que essas escolas tenham filtros ou critérios seletivos para compor o seu corpo discente, comparar com os outros professores, e tirar conclusões preconceituosas ”se ele age assim é por causa disso ou daquilo” sem apurar caso a caso, o que tomaria mais do seu tempo.
        Fico feliz que seja essa pessoa motivada e brilhante em sua profissão. Mas existem contextos pessoais mais pesados que o seu, me parece, se não estiver especulando demais sobre a sua vida, já que a usou como exemplo, e, a priori, não é de todo equivocado, apenas o que falei, havendo de compreender sobre os pontos fracos de se basear por essa via. Conheci um professor que agora trabalha na prefeitura de uma cidade de porte médio, bem próxima da cidadezinha onde moro. Ele é gay e disse que sofreu muita discriminação por seus aluninhos coitadinhos.

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