Qual é a moral na vida gay

Em busca de uma identidade

“Olho ao meu redor, penso um pouco sobre a minha vida e noto que eu preciso mudar alguma coisa”.

Quantas vezes você já se percebeu nestes questionamentos e quantas dessas vezes bateu a influência de sua homossexualidade, como uma peça para ser trabalhada ou encaixada em outro lugar?

Não sei ao certo a frequência dessas questões que os leitores do Minha Vida Gay passam – algo que é bastante particular e em fases diferentes – mas sei que este Blog inicia o ano de 2017 com mais de 1,5 milhões de visualizações. Sob o guarda-chuva “Minha Vida Gay”, trago aqui há 6 anos os mais diferentes assuntos, relatos, fatos e reflexões que envolveram a minha vida, a vida de alguns conhecidos, de leitores e os temas que anualmente nos cercam. Pura reflexão, “textão” e conteúdo para muitas vezes oferecer uma luz a quem chega aqui. “Luz”, adjetivo criado por muitos que já se manifestaram.

Mas como em tudo há ônus e bônus, não foi só com elogios e satisfação que os leitores se aproximaram. Tive lá três ou quatro casos durante esses anos, de gays que vomitaram raiva sobre as minhas palavras. Natural e talvez essa abertura, de receber tudo o que as pessoas querem expressar sobre tudo que eu aqui discorro, dê exatamente um teor humano e (redundantemente) tolerante ao MVG.

O Minha Vida Gay abarca. Mesmo que – as vezes – dê “porradas” ou trilhe assuntos que, na intimidade do leitor, gere receios ou mexa com tabus. A gente vai sempre temer o desconhecido ou aquilo que fuja muito de nossa “caixinha de conforto”.

Todavia, o Blog nunca foi e nunca será um meio de conteúdos que trará “verdades absolutas” e é sempre bom reafirmar essa ideia. Primeiro porque não acredito em verdades desse tipo, segundo porque em 40 anos de vida mudei e revi diversos valores – o que me faz crer que nossas verdades e crenças também se transformam – e terceiro, porque os detalhes encontrados na vida de cada um, que leva à felicidade individual, são igualmente particulares.

E o limiar será sempre o respeito para com os limites do outro.

Acontece que aqui, no MVG, extrapolar as “caixinhas” para nos livrar dos julgamentos é o que há. É o que há para mim e o que eu pude trazer de referência até agora.

Como exemplo, muitas vezes positivei mas critiquei o modelo monogâmico entre casais gays. Positivei, no sentido de que se construir a legitimidade de sentimentos entre um casal de homens ou de mulheres, se equiparando a qualquer outro casal, é grandioso e romântico. Mas também, sugeri que muitos casais gays se escondem (ou se acomodam) no modelo mais heteronormativo possível para evitar embates com a própria heteronormatividade, tratando o que é diferente disso como uma deficiência, um erro ou distúrbio de conduta do próprio gay.

Positivei o relacionamento aberto também, algo que enche de insegurança muitas pessoas, mas que – de fato – é um exercício para transcender moldes, apegos e “caixinhas” culturalmente enraizados. Sugeri que o não concordar com as relações abertas é, diretamente, consentir com a cultura nascida das tradições Cristãs e filosóficas, as mesmas que nos tempos de hoje nos parecem tão antiquadas quando nos convém. Não existe outra base cultural para não achar certo o relacionamento aberto, senão a do Cristianismo e da tradição. Talvez você só não tenha se dado conta.

Existem gays que vão buscar segurança nos modelos heteronormativos e outros que vão criar os seus. E entender que tal abrangência pode funcionar na prática é libertador pois nos livra de culpas, daquelas que o modelo Cristão e tradicional costuma apontar com o dedo e dizer: “você está errado e vai se dar mal se for assim”.

Trouxe igualmente valores positivos da sauna, espaço que para alguns é um antro de promiscuidade e pecado e que não difere em nada com as casas de swing frequentadas por heterossexuais. Relatei que as minhas experiências em lugares como a Chilli Peppers me fizeram enxergar algo que, quando estamos presos a crença da exclusiva promiscuidade, vivemos de uma cegueira. O fato é que de toalha e chinelo, do jovem de 18 ao senhor de 70 anos, magros, sarados, gordos, lisos, peludos, baixos, médios, altos, das mais diversas etnias, bem ou mal dotados – todos – podem se entregar ao prazer, por algumas horas, livres dos rótulos e das classificações sociais. Castas que, a mim, é um dos cânceres da sociedade.

É assim um convite para nos livrar de nossos julgamentos, aqueles que culturalmente ditam o “arroz com feijão” e podem, novamente, nos autocensurar.

Expus aqui o quanto a rivalidade entre gays masculinizados e afeminados, este maniqueismo, é uma crença limitante assim como determinar incondicionalmente “ativos” e “passivos”. Crenças limitantes que, seja o pólo que o indivíduo quiser defender, transborda de machismo.

Falei também da traição (ou infidelidade) e já sugeri aqui que – as vezes – o pior não é ser traído, mas sim, viver anos dificultosos e amarrados para perdoar. O pior, as vezes, não é ser traído, mas depois da traição, determinar e amarrar uma âncora aos pés por crer que ninguém mais é digno de confiança. Você casará, em outras palavras, com a própria infidelidade.

Porque essa coisa de ser gay só dá mais trabalho e pode ser difícil, confuso ou amedrontador por causa disso: julgamentos. Os seus sobre você mesmo, os seus sobre os outros, o que você acredita que as pessoas acham e o que você acredita que é ou não é a vida gay. Autossabotagem é uma realidade mas é possível desarmar.

O que você deseja mudar?


coach-de-vida-gay

Sou Mentor e Coach para o público gay e relacionados: pais, irmãos, amigos, entre outros e desde 2011 matenho o Blog MVG como meio de referência, trocas e vivências. Gostaria de uma mentoria ou coaching? www.lifecoachmvg.com.br

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