Que emoção é essa

“É uma alegria poder sentir isso por outro ser humano. Mesmo que as vezes não seja correspondido. É algo que está dentro de você, é vibrante e tal energia não acontece a toda hora” – falava a um amigo sobre determinado sentimento diferente que desperta, de tempos em tempos, por uma pessoa. Algo juvenil e seria totalmente da juventude se eu não fosse um adulto, próximo aos 40.

Entusiastas com a vida nem sempre esperam uma correspondência imediata. As vezes, a vibração que desperta por dentro, uma energia livre, é combustível suficiente para dar um gás extra para os dias que se seguem. As vezes só isso já basta, poder sentir “isso” de novo. Dizem que, quando adolescentes, passamos por situações dessas, tido como bobos, de uma correspondência que nunca virá, do platonismo tão recorrente (e concordo, visto tantos relatos juvenis que chegam por aqui narrando casos de jovens gays). Mas e quando tal sentimento ressurge aos 23, 25, 27, aos 33 e, agora, aos 38 anos?

Faz pouco mais de um mês que, em pensamentos e atitudes, eu queria apenas a casualidade. Estava certo disso e fechado para possibilidades emocionais, transitando no meu polo do sexo sem compromisso. Não só isso: era o momento da intenção despretensiosa de conhecer gente nova e, não demorou muito para “colecionar” algumas pessoas, como expus abertamente nos últimos posts. Quando a gente se fecha, dá a impressão que esse estado vai durar pra sempre. Fazemos planos sob essa condição, mas dessa vez foi mais rápido do que eu imaginava. Quer dizer, rápido é relativo, visto que algo se perdia com o Japinha desde a virada de ano. Se for considerar, já são seis meses que me sentia “solteiro”, embora com um compromisso de palavra.

Primeiro de tudo, como sugeri nos últimos textos, eu me coloquei numa situação de me desprender de qualquer falta de resolução, trauma ou frustração passados. Na minha cabeça, e da maneira que eu funciono, podemos substituir pessoas (corpos) mas não sentimentos. Mais uma vez, busquei resolver suficientemente o que ficou para trás e seguir em frente. Há quem prefira carregar certo peso (no formato de frustração, mágoa, trauma, culpa, etc.) nas costas. Eu posso até passar por um momento desacreditado e tal momento chegou a durar mais de um ano. Mas como, a mim, nós somos a maneira que enxergamos o mundo, eu preferi acreditar na vivacidade que se há quando estamos livres do que se foi. Amarrado a uma pessoa que passou pela minha vida fiquei apenas uma vez, para tomar a lição, e transformar a maneira de lidar com isso.

Pode ser eu (ou pode ser eu com a autonomia que atingi com as minhas vivências), mas como reforço bastante por aqui, transito com facilidade entre os meus polos extremos: a medida que a Chilli Peppers e a pegação dos apps iam perdendo a graça (não foi a primeira nem a segunda vez que eu decidi pular para essa caixinha da libertinagem gay, sem medo de achar que poderia devastar com a minha integridade), fui aprofundando o contato com aqueles que entraram no meu WhatsApp. Critério básico: físico e intelecto. A partir daí, a naturalidade de cada conversa seguiu danças diferentes, assuntos diferentes e intenções diferentes. Um deles “casou” comigo numa semana, terminou na semana seguinte e nem sequer nos vimos presencialmente. Outro, provavelmente, será meu massoterapeuta oficial, questão de organizar a minha vida. Um fofo e ótimo profissional. Um terceiro, descendente de ingleses, me mostrou um reflexo tão normativo, retilíneo e frio de mim que acabou me assustando. O quarto, quis a fast-foda e em casa mostrou a intenção de buscar por algo mais. Mas não passou disso. O quarto, casado hoje com um japa, de um namoro que vinha há três anos, conseguiu roubar (literalmente) alguns beijos. Não pára de querer mais safadezas e, embora uma graça, não me senti estimulado a bagunçar seu contexto (nem o meu), diferente da naturalidade que tive com o Luiz, bissexual, nessa e em outras passagens da minha vida solteira.

O Tché foi o último a pintar pelo Hornet e pular para o Whats. A partir daí, meus apps tem acumulado aqueles números em volta da bolinha vermelha (para quem tem iPhone) porque perderam um pouco do sentido.

Que emoção é essa que surge, diferente, quando conhecemos uma pessoa? Poderia ser fruto de uma atração física, mas convenhamos que todos que pularam para meu Whats cumprem esse requisito. Poderia ser algo da troca de palavras, algo da intelectualidade, mas em certa medida todos têm alguns papos convergentes aos meus interesses. O fato é que o Tché, ou melhor, a vibe que começou, anda me tirando da rota a qual tinha como certo: idealmente, era para viver de casualidades por muito mais tempo, sem medo do lado profano ou promíscuo, a certa rotatividade já vivenciada em outras fases.

Isso não é uma reclamação, muito pelo contrário. Embora bata aquele frio na barriga do incerto, do desconhecido, é tão bom poder sentir essa emoção por alguém sem a ansiedade de querer prever o futuro. Existe uma autonomia importante nessa história, de um “adolescente aos 38 anos”: consigo enxergar, aos poucos, o Tché que vai se formando a minha frente. O medo é inerente a essa vibração e a pergunta é “o que faz a gente se sentir tão a vontade com o outro?”. Melhor deixar sem resposta:

– Sabe, independentemente de qualquer coisa, você já tem a mim.

– E você a mim. Você é muito legal (rs).

– Hahahahahahaha.

Chego a ficar sem jeito, mas não deixo de seguir a tua aparição, Tché.

3 comentários Adicione o seu

  1. André Galvão disse:

    Flavio,

    Meu, sinceramente estou rindo agora com esse seu texto, há poucos instantes, escrevi um post no seu outro texto acima, o qual relato um certo momento em que vivo…
    Aos 27 anos, me vi ontem como um adolescente em que conheceu seu primeiro rapaz rsrs, é estranho e ao mesmo tempo, um sentimento que não sentia há muito tempo.
    Infelizmente ou felizmente, não sei, porque me perco um pouco em meus pensamentos, não consigo não pensar e já planejar um sonho á dois (me vejo como um louco as vezes por isso), mas eu não sei agir diferente quando me sinto assim.
    Gosto de agradar o outro e mostrar que algo bom pode surgir, seja, por mensagens, músicas em ligar (não á toda hora também, até porque, tenho minha vida que é uma correria só, porém, em momentos do dia mando mensagens), e o meu problema talvez seja esse, penso em que as vezes a pessoa deve me ver como o carente ao extremo, o alucinado, porém, não me vejo assim, pois, isso não ocorre periódicamente, e como disse há tempos não sentia isso e não vivia isso.

    Bom acredito que devo deixar rolar, e “o futuro á Deus pertence” como dizia minha avó, agora é aguardar as cenas do próximo capítulos e ver no que vai dar.

    É isso ai meu caro, vamos vivendo e nos abrindo as possíveis novas experiências da vida….

    Abraços e boa sorte para você!!!

    1. minhavidagay disse:

      Exato, André! Para você ver que, quando a gente entra nessa “sintonia”, “vibe” ou “frequência”, normalmente nos pegamos num estado juvenil.

      Minha terapeuta acabou aconselhando algo que eu já estava praticando. Vou deixar a “dica” pra você: viva essa expressão juvenil. Mas não deixe de usar um pouco a razão mediante as referências e experiências que você teve.

      Creio que nesse texto “Que emoção é essa”, apesar de eu falar para entregar para Deus, fique claro que há toda uma reflexão por trás, principalmente, das benesses que é nos permitir sentir exatamente isso que você está sentindo. É incrível passar esse momento e isso é muito particular.

      Independentemente se rolar algo com esse seu menino, ou não, é muito válido viver as emoções que tais encontros inesperados, mesmo que ainda virtuais, nos proporcionam.

      Não te desejo sorte, mas que aconteça o que tiver que acontecer. Te desejo felicidade, independentemente do que vier! :)

  2. andre Luiz disse:

    Hahaha qud bom ler esse texto e mais ainda e esses comentários Assim tbm nao me sinto sozinho com essas tais emoções sentimentos que surgem toda vez que conheco um cAtingir visual virtual. só Essa semana foram três é quase nunca me acostumo. pois cada um dispetá algo diferente mas sem peder esse frescor juvenil!

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