Reescrevendo Modelos

Enquanto Meu Japinha está longe e completamos recentemente seis meses de relacionamento, tenho focado minha energia nas “coisas” do MVG, na academia e na prática de tênis, em meus pais e, ocasionalmente, em meus amigos.

Se a pergunta é: “você está conseguindo lidar com a distância física?” Digo sim, de uma maneira (incrivelmente) equilibrada. Se a pergunta é: “não bate uma carência?”. Respondo da mesma maneira afirmativa, com um controle emocional bastante interessante.

“E seu namorado?” – bom, aí é entrar numa intimidade que não precisa (rs). Falo por mim apenas.

Foi daí que das “coisas” do MVG surgiu a oportunidade de participar de um Workshop, all day long, ontem, sábado. O convite veio de um dos leitores do MVG que trabalha com Coach e que tem esse projeto com um parceiro profissional que é psicólogo.

Tal encontro teve o nome de “Reescrevendo Relacionamentos”, tema bastante pertinente voltado para o público gay. No momento em que é sabido que uma das grandes questões da humanidade – para gays ou heterossexuais – é a dificuldade (dos tempos modernos) de se construir um relacionamento afetivo e consistente, o dia valeu a pena, nesse crescente da minha experiência sobre homossexuais e relacionamentos.

É importante citar que o Workshop não tinha o objetivo de fazer com que os participantes saíssem namorando entre si (rs). Mas o fato é que, dentre 10 participantes, jovens gays dos 20 e poucos anos a outros de 45, eu era o único presente que namorava.

O convite se deu pelo interesse de uma potencial parceria entre o MVG e os ministrantes. Novidades, provavelmente, virão em breve. Fui até lá para sentir o formato do trabalho, conhecer pessoalmente ambos profissionais e ver se conceitos, objetivos e filosofia convergiam aos ideais do MVG e vice-versa.

Um cardápio vasto de informações e valores foram compartilhados, prato cheio para o gay que objetiva desenvolver um relacionamento mas, por inúmeros motivos pessoais, não têm conseguido. Foi curioso perceber que a grande maioria dos participantes, sejam os mais novos ou os mais velhos, carregavam ainda nós, traumas e falta de resoluções sobre vivências e pessoas anteriores cujas imagens resistem na mente de cada um (mesmo que reprimida) e que de fato – tais vivências e pessoas – nem são mais presentes.

Impressionante como o tema da traição foi pautado das mais diversas formas, motivo que faz ainda as pessoas estarem presas a uma “imagem ideal” de seus antigos relacionamentos, com um fundo de esperança, com uma culpa velada na sombra do orgulho ou com feridas não cicatrizadas. Já estive nessa situação com um dos meus ex-namorados e sei o quanto é difícil. As vezes dura-se anos para superar.

O Workshop só reforçou a ideia que costumo dividir com os leitores por aqui: somos os principais responsáveis de nossas escolhas. Mesmo que sem querer, escondido no subconsciente, escolhemos manter ou não a idealização ou migalhas de alguém dentro da gente. É certo que perpetuar pessoas e situações em nossa mente, manter nossas culpas, nossos traumas e ainda responsabilizar o outro por possíveis males que nos cometeram no passado, é como estar preso a uma corrente com uma âncora na outra ponta.

Pela energia do orgulho, na “virada do jogo” podemos naturalmente focar nossa vida no trabalho (como eu vi), nos estudos (como vi), comendo e engordando (como vi), numa certa intronspecção (como vi), em roupas e acessórios de marca (como vi), no sexo, nas baladas, em ocupações insaciáveis com amigos e nos selfies, acreditando com todas as forças que demos a volta por cima. Mas dentro de “quatro paredes”, da maneira inteligente de como seguiu o Workshop, nos despimos de nossas couraças que tanto nos enganam. Explodem nossas fragilidades existentes para a oportunidade de resoluções.

Falo muito da busca da consciência e da importância da transformação de padrões e modelos para se seguir em frente. Acima de nossas sexualidades, o ser humano está sempre precisando rever-se a si (e não ao outro). Não se abre à felicidade do novo sem mudanças necessárias. Mudanças que, sim, na maioria das vezes são muito difíceis de encarar, quando não são difíceis de perceber! Aceitar que os erros estão dentro da gente e não no outro costuma a doer. Bastante. Porque culpar o outro não dói. Culpar o outro é bálsamo, mas não resolve.

2 comentários Adicione o seu

  1. Andre Kummer disse:

    É essa a vibe!! Grande Abraço!

    1. minhavidagay disse:

      Eu que agradeço, André! Parabéns pelo trabalho! :)

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