Reflexões em quarentena: a velocidade dos fatos

Análise: Brasil em looping

Hoje eu tive uma conversa boa com alguém que é bem Bolsonarista (crente ou não, tanto faz, mas não arreda o pé em relação as ações do presidente). Sempre vou respeitar essa diversidade de opiniões e pensamentos que é característica de nosso país.

O ser humano, principalmente do Ocidente, pode até idealizar o socialismo ou o autoritarismo, mas os pés estão fincados em movimentos liberais irrefutáveis (basta ver a preocupação com o bolso neste exato contexto de COVID-19. Me diga quem não está? Até quem lida com ações está com algumas palpitações e eu sei).

Sobre essa liberdade, basta até a que cada um tem, mesmo em privações de quarentena. É o que nos sobrou. Cada um é o que quiser e isso é o bem e o mal do liberalismo. Isso não vai mudar porque não é de alcance nem do humanismo socialista, nem do humanismo liberal, nem do humanismo evolucionário. Estamos todos sambando sobre um tabuleiro essencialmente liberal e pronto.

Esse é um fato, claramente expresso no livro “Homo Deus” para quem quiser entender melhor a que me refiro.

Seguro disso, outro fato, diferente das crenças, é que não se muda esse tipo de coisa, as crenças, por influência de terceiros. Quem sou eu para converter as ideias de um Bolsonarista ou de um Lulopetista? Não tem como, a não ser que eles mesmos mudem, embora eu acredite que, assim como o Lulopetismo levará fãs por gerações em histórias contadas, o Bolsonarismo já conseguiu o mesmo.

O Lulopetismo gerou o Bolsonarismo e essa é outra realidade, doa a quem doer. Nascido em um berço de reatividade. A mãe que nega, o filho nasce torto. Vejam só.

Por um lado, era hora do Brasil ter um referencial real de direita, embora, supostamente, dotado de todos adjetivos depreciativos possíveis. Embora tenha vindo, ao meu ver, torto, infantilizado, esquisito e faltando uma peça no cuco. Infelizmente não estamos falando de Winston Churchill e nem de uma Brastemp. Infelizmente, o Lulopetismo que pariu esse filho não era lá dotado do melhor DNA.

Outro fato novo é que o país nunca dependeu tanto da “fria” racionalidade da ciência, de seu cronograma, da ordem, cadência e de sua racionalidade. Até há um mês, eram as nossas crenças que baseavam nossas vidas mediante a diversas religiões, além das obviamente conhecidas. Religiões como o Lulopetismo, o Bolsonarismo, o Capitalismo e – abarcando todas – a religião Humanista, essa que antes do coronavírus eu já tinha me tornado bastante crítico e que agora, graças ao coronavírus vai ficar miudinha por um tempo.

E quem joga essas ideias como religiões nem sou eu, mas historiadores e filósofos de primeiríssima linha, que nada disseminam sobre realidades paralelas de conspiração que muitos adoram para justificar o injustificável.

Porque uma coisa é pensar diferente sobre uma linha de raciocínio clara e lúcida, olhando em detalhes para realidades da História, do passado, projetando o presente e sugerindo o futuro. Nesses casos, a própria linha de raciocínio, quando didática, pode convencer um terceiro sem muito esforço.

Outra coisa é tomar como base charlatões que se fazem de cientistas. A Internet tem aos montes: terraplanistas, anti-vacina, homem que não foi pra Lua, Bill Gates é criador do vírus, a China conspirou contra o mundo e etc.

Sabichões esses caras, não? Para si e nada mais além.

Muitas pessoas não reconhecem com facilidade os charlatões, querem pensar diferente e o resultado dessa química são essas realidades paralelas alucinantes.

Foi assim muitíssimo, copiosamente, repetidas e exaustivas vezes enquanto a moral dos Lulopetistas estava alta. E tem sido assim, em prazo mais curto, com os remanescentes Bolsominions.

Eu falava na sexta que o Bolsonaro não ia se aguentar para soltar mais uma bobagem-bombástica. O ego dele é de ariano do horóscopo de rodapé de jornal: infantil, egocêntrico, ingênuo e impulsivo.

Dito e feito, mas foi uma rajada digna de diarreia: peitou o Maia, montou uma passeata para pronunciar “AI-5” e “fechamento do Congresso” e, de quebra, está com uma “tosse do cachorro louco” só para incentivar os memes. Espero que não seja a “gripezinha” porque seria muito besta e sem graça, nesse espetáculo brasileiro, ele tombar assim.

E agora, Maia cancelou todos os compromissos, se fechou para maquinar com o Congresso e, não menos importante, líderes militares acabaram de pedir para o Bolsonaro abaixar a bola. De quebra, o Supremo já mandou o recado para ele, educadamente, calar a boca.

A criança vai aguentar? Du-vi-do! Sabe quando os pais deixam o filho de castigo no “cantinho”? Vai ele lá, sentar no banquinho, ainda com o calor das nádegas da Dilma.

Meu amigo Bolsonarista está firme em suas crenças. Eu prefiro os fatos.

Sobre fatos, só enxergo reprises.

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