Quarentena: reflexões sobre o coronavírus e nosso momento de mundo

Há duas semanas iniciei minha quarentena para ajudar a desacelerar a disseminação do coronavírus em São Paulo e, nesse período, passou pelos meus pensamentos voltar a escrever sobre nosso momento de mundo no Blog Minha Vida Gay. Minhas motivações e as práticas antes e durante a quarentena tem apontado para outros “lugares”, formatos, temas e quem quiser estar “por perto” – de um jeito totalmente diferente – pode me acompanhar no Instagram @jardineirosurbanos.

De todo modo, precisava materializar em palavras um resumo de tudo que tenho refletido e analisado sobre esse “novo mundo” que está se formando a frente de todos nós, a partir de seres invisíveis e diminutos: o coronavírus.

Não faria sentido ser em outro lugar que não aqui.

O conceito do “bem e mal no mesmo lugar” que tanto dissertei em dezenas, senão centenas de textos, dá sustentação para minhas reflexões sobre o coronavírus em minha quarentena.

POR UM LADO temos as mais diversas ações e reações do povo brasileiro, a mim (fadigadamente) esperada: o Bolsonaro tem razão, o Dória tem razão, razão é quem está seguindo a risca o #fiqueemcasa, com razão estão os fanáticos bolsonaristas, a razão são dos bispos Edir Macedo e Malafaia, a razão é do trabalhador informal que não pode parar, a razão é daquele que trabalha de dia para ter o que jantar a noite, a razão é do Mandetta, a razão é daquele que quer levar o Impeachment agora, a todo custo, razão tem aqueles que abordam a pandemia pelo viés exclusivamente político, razão tem aquele que acredita que o vírus é uma criação da China, razão tem o empresáro brasileiro bilionário que tem se prestado a se expor nas redes sociais para mandar o povo trabalhar, razão tem esse mesmo para que a morte, no final, não acabe eclodindo a partir do desemprego e da fome. E possivelmente tem mais outras razões que não tive a capacidade de memorizar para trazer aqui.

Seguindo as mesmas ideias dos valores antropocêntricos e egóicos que expus nos últimos textos do Minha Vida Gay, com contornos e temperos latinos igualmente apresentados por aqui, ser brasileiro acaba sendo mais virulento do que o próprio coronavírus e me sobra a irônica consciência disso tudo para confortar. São centenas de cacos de verdades e dentro desses cacos residem pessoas com certezas absolutas.

Passamos a ser números estatísticos vinculados à doença e morte e é assim que o brasileiro reage. Desse jeitinho. Veja, a cultura latina é a que se estabelece e predomina no Brasil. Assim, antes de Bolsonaro (ou Lula, que seja), o espelho mais nítido vem da Itália e da Espanha, países onde esse “tsunami” bateu primeiro. Poderia citar a França também de uma mesma origem latina e talvez só os Portugueses, neste caso, tenham transcendido o “DNA cultural” . Por que então teria que ser diferente por aqui as próximas etapas da pandemia? Nossos alicerces culturais são de alemães ou japoneses por acaso?

Entendam como quiser, se otimista, pessimista ou realista: morrerão milhares de paulistanos em apenas um dia, num fluxo que vai reverberar para o Rio de Janeiro e os demais estados do país em semanas. Se já não estiver acontecendo por falta de recursos para determinar.

***

Seguindo todas recomendações da OMS para sair e retornar para casa, tenho ido as ruas por necessidades. Tenho visto de perto os contornos, cores e formas do egocentrismo do brasileiro (das diversas etnias, idades e classe), a natureza expansiva, que não cumpre regras e é dono de si. O estranho sou eu com máscara, luvas e gel no bolso. Teve até uma situação de uma idosa que – propositadamente – ficou a 2 metros de mim na fila do mercado com a expressão de estranhamento cravada na face, sendo que deveria ser ao contrário.

Concomitantemente, não era de me supreender os EUA terem explodido em todas as estatísticas. A “aura” de super-homens sempre pairou sobre eles. Super-homens, super-produtivos, super-estrelas e super-capitalistas. Non-stop. Until now.

Bem e mal no mesmo lugar. Acaba servindo para todos nesse vulto do coronavírus.

É a primeira vez na história do Brasil que toda população vive uma condição de Guerra Mundial. O desconhecido assusta, não é mesmo? As incertezas, a inevitável crise econômica que virá junto e misturado, os doentes que devem triplicar (ou mais), os mortos aos montes e enfim, o brasileiro tomando a maior descarga de realidade da história, correndo o risco ainda de não aprender.

Quem saberá se vai? Neste caso, boto a minha fé para longe e só acredito vivendo.

Falava aos poucos próximos que mantive contato (e talvez tenha até sugerido por aqui) que – a mim – o povo brasileiro teria a maior chance (e pode ser capaz de perder a oportunidade ainda!) de reinventar, refinar e aprimorar seu sentido de sociedade-coletividade passando por uma catástrofe. Boca santa. A maldição é ter que viver o sofrimento, pero no mucho…

Eu, inserido nesse inevitável contexto local e mundial, tenho me posicionado. Já defini meus papéis para além do verbo e do dedo gordo no celular:

– não tenho absolutamente mais nada a perder para romper com todos indivíduos radicais políticos, fãs de representantes, fãs religiosos ou fãs de qualquer coisa que aponte para inimigos em detrimento ao seu herói. Ou que se apresentem apenas com inimigos ou apenas com heróis. Até “ontem” mantinha uma “política de boa vizinhança” com alguns poucos, certa diplomacia que, a mim, fica com o mundo que está ficando para trás;

– já identifiquei os contornos da expressão da inveja faz alguns anos. Antes eu deixava a amizade camuflar. Agora não tem mais o por quê;

– matenho todas as pessoas da minha empresa empregadas e a minha ideia é triplicar esforços para que assim continue durante a formação do “novo mundo” nem que o ônus fique para eu bancar. As possibilidades, caminhos e luzes estão se formando a medida que os novos contextos também. Essa parte depende basicamente de minha articulação;

– matenho a minha querida faxineira devidamente paga, embora ela esteja de quarentena em sua casa. Nos conhecemos há mais de 30 anos e não faria sentido algum qualquer termo como “dispensa”. É impensável associar essa palavra a nossa relação hoje ou amanhã. A gente só termina quando ela se manifestar;

– a crença no “novo mundo” é muito mais dentro de mim do que propriamente do entorno e explicarei logo abaixo;

– meu namorado está “quarentenado” comigo. Estamos buscando tratar ao máximo como se fosse um período de férias juntos, algo que já vivemos duas vezes, com algumas pequenas adaptações agora, como cuidar de toda casa, roupas, limpar quartos, lavar banheiros, preparar almoço, jantar e etecetara das atividades domésticas. Hoje, por exemplo, limpei privadas;

– cortes de custos ao máximo! Mas isso, como microempresário há mais de 19 anos, estou calejado nas mãos, nos pés e onde mais possa adquirir calos;

– estou a serviço de boa parte das pessoas ao meu redor que estão naturalmente perdidas em meio a tanto cacos de verdades. Estou também a serviço de meus pais e da avó de meu namorado que, a priori pela idade avançada, fazem parte do grupo de risco e de quem mais – próximo de onde eu moro – recorrer. Me custa máscara, luvas, alcóol gel e precaução para comprar comida ou medicamentos. Estamos falando de um vírus que, inevitavelmente, fará parte do corpo de 100% dos seres humanos desse planeta. Vírus é vírus e não me tragam patacoadas;

– não serei do tipo classe-média-de-ideologia-de-esquerda que vai deixar vazar o neoliberalismo para colocar em risco um motoboy para entregas a minha porta, mesmo que – particularmente – esteja longe de condenar o liberalismo. Mas desses tipinhos de “esquerda” eu conheço aos montes habitando a Vila Madalena (o bairro é mais uma metáfora do que uma provocação direta). Esse tipo de hipocrisia também quero deixar no mundo que ficou.

A política adotada pela grande parte dos países, o tal do lockdown horizontal, me parece mesmo a mais acertada para dar o máximo de ordem ao caos e evitar que a inevitável disseminação do vírus entupa o funil que é a estrutura de hospitais (no Brasil e no mundo) e os mortuários. 1% que seja de doentes e mortos de qualquer país que seja, entope todos sistemas hospitalares e necrotérios pois além dos doentes por corona, temos os demais que sempre existiram. Assim, lockdown horizontal nada mais é do que a máxima ordem ao caos. A morte em si, pertinho da gente, será inevitável. Aos milhares.

Todas as práticas mais acertadas, no momento em que a humanidade se vê como pecinhas frágeis e números em planilhas de doentes e mortos, talvez não seja suficiente para apaziguar nossa alma (temerosa a morte, a falibilidade e a solidão; a primitiva necessidade de perpetuação da espécie impressa em DNA). E é aí que vou trazer minhas referências e reflexões pessoais para servir ao leitor (ou não).

O fato é que a ficha do brasileiro cairá cedo ou tarde, pelas vias da dor ou do amor. Alguns cacos de verdades, tenho fé, se pulverizarão nos próximos dias. A contagem já é regressiva.

***

POR OUTRO LADO, venho formando valores espiritualistas, animistas e niilistas há alguns anos que talvez sirvam de referência para alguns que se prestaram a ler até aqui. Nem que seja uma leitura lúdica.

Uma acachapante crise humana, a mim, até veio com sentido e penso que esse subtexto pode ser visto em meus últimos posts. Uma impressão de pessimismo virou realismo.

Não é irônico, o homem de todas essas verdades, imponente, produtor magistral, técnico insuperável, potente e poderoso, quase que burlando a morte a partir da ciência mais atual, ser rodeado por esse vulto invisível, levando-nos a realidade da vulnerabilidade, peste e morte? Não é irônico a inversão das proporcionalidades entre o ego do ser humano e o vírus?

Não faz um ano – e deixei registros aqui também sobre o assunto – que o nosso povo se dividiu ao se deparar com a devassa das queimadas na Austrália e, logo na sequência, a devassa na Amazônia. Uma grande maioria conseguiu apenas, e somente apenas, encaixotar o tema em política, olhar pelo viés reducionista dos “argumentos” nacionais daqui e dali.

A natureza como estamos percebendo agora, não faz política, não qualifica, não classifica, não determina por gênero, etnia, grau de instrução…

Então, por um lado os ambientalistas (ou pseudo) e esquerdistas, bradavam durante as queimadas na Amazônia e, do outro, os pró-governo respondiam na mesma medida medíocre. Estéticas e temas diferentes, mas a mesma polarização estabelecida – quiçá – desde de 2013. O mesmo egoísmo replicado, triplicado ou quadruplicado pelo mundo. A potência de um precisando sobrepujar a potência de outro e vice-versa. Acorrentados em causas de interesses exclusivos ao homem, é bom reforçar. Esqueceram-se (ou nunca se deram conta) que a natureza, sim, é soberana.

Do ponto de vista estabelecido, do “lugar que cheguei” e avistava tudo isso, a partir da formação de certos valores espiritualistas, animistas e niilistas, trouxe esse texto, quase que “premunitório”, em 29 de agosto de 2019:

Bola de gude (deixando um pouco o silêncio)

Cês sabiam que quando os britânicos encostaram com as caravelas na Austrália, achando que era a primeira vez que o homem respirava o ar daquela terra, milhares de anos antes o humano já tinha invadido aquele território?

E que, quando os discípulos da rainha avistaram aquela beleza natural, a geografia estava toda transformada pelos ancestrais dos aborígenes? E que animais gigantescos e variados, mais de 50% da fauna (muito mais na verdade) que ali habitava, foi aniquilada para virar roupas e acessórios, como colares?

Cês sabiam também que – para boa parte dos historiadores, arqueólogos e cientistas – a maior destruição ambiental da História foi quando o Homo Sapiens resolveu se espalhar pelo continente, não só devastando a vegetação, assassinando animais, mas extinguindo também – por exemplo – o irmão Homo Neandertal que coexistia no planeta ao mesmo tempo?

Cês estão sabendo que neste exato momento, na África, está queimando cinco vezes mais, para os exatos fins de pastos e pecuária? Cês acham que os insumos vão para onde se não para a turminha do G7 e países adjacentes super “peace and love”?

Cês estão sabendo que Timberland, Kipling e Vans não são tudo isso de boazinhas e que gastam milhões em pesquisa todos os anos para saber que seus consumidores vão amar essa cartada de marketing? Que essa decisão também é uma cartada de marketing?

Cês querem saber? Não adianta só controle ambiental, políticas e ações de sustentabilidade, plantar árvores, sistemas de coleta de lixo, de latas, (da sogra de direita) e etc. Não adianta todos esses controles e longe de tirar a legitimidade daqueles que trabalham com isso e para isso. Respeito máximo a esses ofícios. Mas se a gente quer mesmo salvar esse planeta, precisamos – antes de mais nada – tirar de vista esse antropocentrismo geral voltado para o umbigo de esquerda, de direita, de cima ou de baixo. De viajar que tem realmente um herói entre nós.

O pior parasita dessa bola de gude é o homem. Esse, sim, precisa ter controle”.

***

Do lugar em que me encontro hoje – e me refiro a algo que se estabelece em meu interior – é notável que o ser humano bugou há algum tempo. Que a partir disso, a ideia atual de instituições e representantes também estão inteiramente distorcidas, em uma dissonância em proporções grandiosas, mundiais.

Que as nossas ambições atuais nos afastaram demais de uma sintonia natural com tudo que nos cerca, trocando essa naturalidade por construções humanas frágeis, falíveis e quebradiças. Fantasias.

Há um clamor de uma empatia que vem de um vazio de quem clama.

A simples equação de quase 8 bilhões de seres humanos é demais. Não para o planeta, mas para nós mesmos. O suficiente para, por exemplo, ultrapassar certos limites na relação com outros seres que, ironicamente, trouxe a nós o próprio vírus. Foi o homem que devorou o morcego, quiçá agora o pangolim, invadindo seus espaços e não o contrário.

Havia mesmo essa necessidade de romper com esses limites alheios? Pois bem, vivemos a simbologia da prisão agora… sufocados no veneno de nossos próprios pensamentos.

Do medo absoluto da mortalidade e da solidão que nos é ancestral e que, ironicamente nos levou até agora – desde as mais remotas sociedades – a criar estranhas relações de poder, castas e classes. Um cego sentido de soberania por meio de prêmios, condecorações, troféus, automóveis, marcas, certificados, coberturas em apartamentos, serviços, serviçais, a fama! Para um homem ostentar para outro homem, para um homem se sobrepujar a outro em níveis insustentáveis.

Sistemas, processos, modos de produção que há tempos precisavam de revisão, mas que se ofuscaram a partir de interesses dos próprios homens, rivalizando com outros homens em um joguete raso que perdura até mesmo em tempo de pandemia.

Um excesso. Um excesso de tudo que nos faz distanciar demais de uma ordem natural das coisas, talvez inevitável para nós, vulneráveis seres humanos.

A natureza está punindo? Está castigando? Está ela mesma acertando as contas que eram nossas mas que não fomos capaz de acertar? É coisa de Deus? De certo, todas essas ideias, punição, castigo, acerto de contas e “de Deus” são criações humanas e, talvez, a natureza em si não de nomes ou sentidos. Não jogue nas velhas caixas morais e éticas dos seres humanos.

Enfim, mediante a prepotência acumulada em apenas 50 mil anos de existência, a natureza nos força a relembrar sobre a ordem natural das coisas. Da forma como tem que ser, sem a necessidade do meu ego adjetivar.

Estou bem longe de assinar em baixo as premunições positivas de “Nova Era”, de anjos, santos e seres superiores, embora eu sinta que tenha algo disso. A mim, essa inversão poderá chegar algum dia, mas estamos a milhões de anos para esse acontecimento. Esses interesses de grandiosidade e de grande revelação são humanamente proporcionais ao nosso ego atual. Não me parece haver sentido para essa evolução agora.

Questiono se à natureza isso é realmente tão interessante. Possivelmente não.

A ela, cabe aparar certas arestas do desequilíbrio, visando sempre equilibrar. Somente. É que essa simplicidade tira do ser humano o encanto, não é mesmo? Mas eu, particularmente, vejo beleza nisso.

Nesse longínquo processo de evolução, poderíamos calar um pouco, silenciar. Talvez o momento seja somente para isso, para olhar para dentro, enfrentar a clausura desvendando o poder de nossa unicidade sem precisar contar, ostentar, gabar, mostrar para o outro. Precisaremos ser, sobreviver, sem esperar pelo aceite ou julgo alheio.

A partir desse choque irremediável, que nos coloca cara-a-cara com a nossa vulnerabilidade, fragilidade e insensatez, poderíamos apenas abaixar a bola e aceitar a natural nota de corte. A morte precisa ser tão devastadora assim? Então descubra como ter fé, a sua fé.

Imagine se hoje não existisse Internet? Sinta-se um privilegiado.

E no final desse texto, tudo isso pode ser só mais um ego humano querendo dizer suas verdades. Não acreditem muito. Eu talvez seja um dos últimos da fila a querer trazer mais um caco de certeza absoluta.

Cada vez menor, até o “novo mundo”.

8 comentários Adicione o seu

  1. Nick disse:

    Ótimo texto, só acho que você está cada vez mais apolítico. Você vê a política e os políticos como fonte do errado e não como forma de solução de problemas. Você sabia que o autor de “Sapiens: uma breve história da humanidade” é consultor de vários políticos? Você leu a obra dele e tirou uma interpretação de que a política é ruim… enquanto eu e o próprio autor tiramos conclusão de que a política é necessária e uma condição natural do homo sapiens!

    1. minhavidagay disse:

      A política não é ruim. Ela faz parte de ser humano. O humano é que está ruim mesmo…

  2. lebeadle disse:

    Oi, MVG

    Tenho percebido algo semelhante a isso que você pensa, esse problema Natureza vs
    Cultura, penso que devemos procurar algum equilíbrio entre essas duas forças tanto no quesito subjetivo quanto no comunitário, tentando nos aproximar de realidades mais condizentes com nossa essência e também, quando for oportuno, procurar marcar o nosso espaço pois há uma brutalidade nos discursos atualmente e ela não nos poupa, antes atravessa ou atropela. “É preciso estar atento e forte..

    Abraços

    1. minhavidagay disse:

      O ser humano “só” se esqueceu do tamanho que é… era nítido nos últimos anos AC, antes de corona. Espero que essa retomada de consciência “forçada” dure o tempo suficiente para a humanidade internalizar. O preço em si não será baixo e, agora sim, passaremos por momentos de verdadeiras retrações gerais. Mas me questiono se teremos o aprendizado. Olhando para a história, já tivemos duas guerras mundiais, um punhado de pandemias e, mesmo assim, estávamos como estávamos colados a uma polarização mesquinha, egoísta, estúpida e reducionista. Veja que a natureza não julga, quem da nome é o homem, mas entendo que ela tenha um papel inevitável de equilibrar, regular. Eternamente, equilibrar e regular.

  3. lebeadle disse:

    Deve ser algo de esquecimento, alienação do problema ambiental, principalmente tomando como premissa a questão da sociedade globalizada. Se em nome do desenvolvimento passamos por cima da natureza uma hora vem a conta.

    Entretanto estamos em período de retrocesso social pois a ciência é atacada não por outros fatos mas por ideologia pobre que no fundo é mais do mesmo ódio à diversidade, ao diferente, à razão e para tais ideólogos o que conta é a vontade deles, seus projetinhos pessoais ( ou projetões, vai saber), tipo se a ciência diz e prova algo, pior pra ela! Só que a conta, como o novo, sempre vem…

  4. minhavidagay disse:

    A globalização foi um dos maiores fenômenos do capitalismo, do livre comércio, do livre acesso. Talvez, após o coronavírus, exista uma naturalidade humana e social a voltar para si (como já fazia o Brexit) e a gente veja um movimento de desglobalização mais acentuado…

    A ciência no Brasil nunca foi muito valorizada. Desde 2014 os investimentos que existiam foram se escasseando junto com a crise.

    Acontece que mediante a essa terceira guerra mundial, investimentos em medicina, tecnologia e saúde tornaram-se emergenciais. Para você ver que, na prática, é possível tirar algo de positivo em guerras.

    É interessante pois, nesse ritmo acelerado provocado por um inimigo invisível, igualmente globalizado, é como se um tapa-boca fosse emergencial para as ideologias baratas que, sim, perdem holofotes para algo de nossa natureza primitiva: a preservação da espécie. Esse é o efetivo pano de fundo, nada mais.

    Maquiado de discursos, politicagem, nomes e invenções humanistas como: “vamos preservar vidas e depois pensamos na economia” – que a mim é o sensato independentemente da frase de efeito – existe, basicamente, o sentido da preservação do humano em detrimento a máquina moderna de produção. Na guerra mundial da vez (essa que estamos vivenciando), medicina, tecnologia e ciência entraram forçadamente na crista da onda, diferente de outros tempos quando a indústria automobilística – por exemplo – serviam de centros tecnológicos e produtivos acelerados para armamentos.

    Então, pouco a pouco as luzes das ideologias menores que temperam a polarização, inclusive, estão sendo apagadas.

    O medo da morte, a covardia inerente ao ancestral símio, dá uma bela achatada no ego humano… infelizmente para o Sapiens solidariedade, covardia e medo estão correlacionados. Ou passaram a se conectar no exato contexto.

    Ou seja, estamos precisando nos acovardar nesse tanto, condicionados a quarentenas, a privações, a um inimigo invisível e ao medo da falibilidade e da morte para, enfim, eclodir um sentido de solidariedade improvável há um mês atrás.

    Há apenas um mês atrás! Acredita? Parece mágica, não?

    Embora não creia totalmente nos conceitos do espiritismo, há algumas horas chegou a mim um áudio de um médium falando sobre a influência do espiritual: de que na verdade, era para transbordar a 3a. Guerra Mundial, do homem contra o homem. Mas que isso seria tão devastador e que quase tornaria perene a polarização que já se avistava, que esforços “superiores” conseguiram levar essa energia inevitável para um inimigo invisível, colocando todos os homens – partidos como estávamos – na mesma posição.

    Lúdico.

    Todavia, minutos antes de receber o áudio, estava regando parte das minhas plantas e conversando com meu namorado sobre tudo isso. Disse a ele: “a humanidade tem que agradecer que essa guerra mundial tenha vindo de um ‘E.T.’, um não humano. Porque se tivesse estourado do homem contra homem seria muito pior, e algo já me dizia que essa guerra viria”.

  5. lebeadle disse:

    Entendo e bem que houve aquele conflito entre EUA e Irã em janeiro. Realmente tem coisas q deixam a gente de orelha em pé. Lá pelo ano de 1995 vi um livreto católico com profecias de uma vidente não lembro se do México ou da antiga Iugoslavia que dizia que iria acontecer uma catástrofe que seria televisionada pro mundo inteiro onde iriam aparecer duas grandes colunas de fumaça e também relacionava isso à guerra e quando veio o 11/09 fiquei realmente surpreso ( a profecia era dos anos 60).

    Um momento como esse de isolamento social mundial é coisa que talvez nunca tenha acontecido antes. E pelo tempo que está durando vai certamente deixar marcas na sociedade, já vamos para a terceira semana e quem sabe até quando dura?

    Uma outra coisa que percebo aqui no meu isolamento absoluto é a importância da presença do outro em nossas vidas nem que seja apenas pra avistar, afinal não dizem somos seres políticos?

    Fico feliz em saber que está aí com tuas plantas o que é uma forma de exercitar-se mas vou deixar um link de um prof que está fazendo umas lives diárias de exercícios caso te interesse.

    https://www.youtube.com/user/BrunoSalgueiro2010

    1. minhavidagay disse:

      Tenho me exercitado periodicamente. Claro que treinos em casa tem certas restrições para ganhos, mas estou conseguindo manter.

      “Felicidade só faz sentido quando é compartilhada”, não tenho dúvidas disso. Nem que seja só para avistar. Mas ao mesmo tempo, entendo que o ser humano merece entrar num exercício de encontrar uma felicidade consigo, olhar para si, bastar-se…

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