Relações infiéis

O relato de hoje é quase que uma continuação do “A fidelidade ou infidelidade no relacionamento gay”. O “Eduardo Designer”, leitor do Blog, trocou amplas conversas comigo e com outros leitores no campo de comentários deste post. Sugeri que iria transformar em texto novo para o Blog e cá está:

Relato do Eduardo, leitor do mvg

Quero agradecer ao MVG pela iniciativa do blog, ao Ferreira e Jeferson pelos comentários.

Vou sintetizar para o entendimento de vocês, lembrando que estamos falando sobre “A fidelidade ou infidelidade no relacionamento gay”.

Minha relação:
Início: Março de 2004
Tempo de relação: 10 anos e 9 meses
Situação atual: Infidelidade de uma parte

Até então, antes de passar as últimas madrugadas sem conseguir dormir, tínhamos uma vida estável, tipo: apartamento, carros (o meu e o dele), cachorro, garantias civis e projetos futuros.

A partir de seu ingresso para uma nova titulação acadêmica, quase concluída, seu círculo de amizades aumentou (professores, mulheres, homens e gays). Com isso, veio as mentiras que hoje eu sei comprovadamente.

Como, entre seus novos colegas existe casos de infidelidade, parece que foi a válvula que faltava para se aventurar de forma tardia, esquecendo-se de que ainda era/é uma pessoa comprometida.

Histórico do companheiro: divorciado (pouco tempo de casado, 01 filho, criação evangélica, casado comigo – e descoberta da vida gay).

Entendo isso, como uma forma tardia de viver o que não se viveu antes, o que eu ou tantos dos que aqui lêem, viveram na sua pós adolescência (ou juventude). Sendo assim, ele criou perfis social para sexo fácil e rápido, incluindo seu próprio Facebook que está com vários bloqueios devido a vida errada,“digamos”.

Na próxima quinta, como disse que irá pra casa (hoje, encontra-se na casa da mãe, dizendo ser por facilidades), direi que sei de absolutamente tudo e que nós deveremos cada um, seguir a sua vida, de acordo com seu valores e preceitos.

(…)

Apesar da formalidade do que escrevi, estou um turbilhão, ainda não acreditando que teve que ser dessa forma. Ah! Se perdoo? A resposta é sim!

Se consigo conviver com ele? A resposta (HOJE) é não.

Para os que tem medo de amar e acham que são todos iguais, digo que não são e que nossos 11 anos de relação é história para eu lembrar e me alegrar que tive.

Abraço a todos.

Breve comentário do mvg: em briga de marido e marido não se mete a colher. Mas o Eduardo manifestou o desejo de compartilhar seu caso e autorizou transformá-lo num post. Assim, função mvg “mode on” e cá estou para ser breve dessa vez.

11 anos. Dá para falar que não deu certo? Desculpem aqueles que sonham por um “amor além da vida” que inclusive é muito legítimo e não nego que pode acontecer sim! Mas hoje, de maneira serena, acredito e gosto do “eterno enquanto dure”.

Se quatro anos de namoro, a mim, foram engrandecedores, uma experiência incrível de troca, companheirismo e vivências, o que dirá 11 anos? Será que a quantificação temporal é justa? As vezes é.

O que me agrada no relato do Eduardo é um certo equilíbrio, mesmo diante de uma situação tão intensa. Há algo de positivo, de conformidade e, no meu ponto de vista, traduz uma grande maturidade para lidar com seu próprio caso. Coisa rara porque, normalmente, situações desse tipo são de arrancar os cabelos.

O depoimento pintou no dia 3 de dezembro de 2014. E hoje, 16 do mesmo mês, o Eduardo – gentilmente – trouxe o desfecho dessa história:

“Olá Pessoal e MVG!

Após 13 dias, vou fazer um relato breve para você que acompanhou, e os leitores futuros que podem se interessar pelo post.

Eu e ele, chegamos a um entendimento que queríamos continuar, e dar-nos uma nova chance. Porém, isso não aconteceu. A mentira continuou e percebi que, o que ele queria no final das contas, era manter um domínio da situação de forma unilateral. A mesma mentira continuou, e quando se permite apaixonar-se por um terceiro, dentro de uma relação (no caso dele), dificilmente pode acontecer um movimento contrário para evitar isso.

‘Os bons conselhos desagradam aos apaixonados como os remédios aos que estão doentes.’ Frase de Marquês de Maricá.

Esse mês ainda, entraremos com a dissolução legal do casamento, creio eu que, de forma amigável.

Quero agradecer a todos que leram, em especial ao MVG por essa abertura aqui, e dizer que: MVG, pode dar destaque sim a um novo post com os seus comentários.

Vivi algo que foi “exaustivamente” bom! Fomos parceiros, amigos, irmãos, viajantes, vencedores, namorados, amantes, família…

E ressalto que, o hoje é muito rápido e ainda continuo com todos os planos que tenho pra mim. Abçs!”.

2 comentários Adicione o seu

  1. Eu não tenho serenidade nenhuma para lidar com esse tipo de situação. Não perdoo, corto relações pra sempre. Espero nunca dar o flagra porque se isso acontecer é certo que eu, escorpiano, descerei do salto e partirei pra cima. E não acho que isso me rebaixe. Pra me rebaixar a o nível de gente assim só mesmo se eu devolvesse na mesma moeda.

  2. André disse:

    Admirado! Não me veio outro sentimento senão este, o da admiração. Não só pela serenidade (pelo menos aparentemente), mas sobretudo pelo nível de maturidade que transmite. De verdade, por ser uma situação muito delicada – quebra de confiança – não sei se eu teria a mesma elegância. Mas sempre bom, quando nos deparamos com relatos como esse, ter um pouco de empatia e tentar imaginar como agiríamos, já que ninguém esta imune. Parabéns Eduardo pela demonstração de altivez e franqueza para consigo mesmo; e de coração espero que você supere o mais rápido isso tudo! :)

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