Minha Vida Gay – Essa tal leveza do ser

Credito aos anos vividos as mudanças significativas dentro da gente. Durante muito tempo, e no meu caso foi até os 33 anos (coincidentemente, idade de Cristo – rs), o fato de ser gay era algo bastante influente em minhas escolhas, os lugares que frequentava, os amigos que tinha e os assuntos que criava. E creio que para a grande maioria dos jovens homossexuais o próprio tema – ser gay – é muito assunto em reflexões e vivências. Sai pelos poros, invade a mente. Não somente a homossexualidade ronda o “nosso espírito”, mas afirmo que uma grande maioria inclui no pacote as diversas questões que abordam o tema de relacionamento afetivo, paixões e desejos para com um outro.

Tenho que acreditar e compartilhar com vocês que à medida que nos tornamos mais adultos e – fundamentalmente aqueles que efetivamente se permitem a mudar de fases da vida – passamos a deixar a tal da vida gay e as questões de relacionamento com um peso de influência muito menor em nosso cotidiano. Em outras palavras, as diversas situações autoafirmativas que expõem a nossa sexualidade, seja para amigos, nas redes sociais ou para o próprio namorado, vão se atenuando com o tempo. A bem da verdade é que esse é o cenário ideal, quando vivemos e alimentamos as diversas necessidades como gays e, supridos ou fartos, partimos a ver a vida sempre com um olhar novo de tempos em tempos. A inquietação humana há de se focar em novas vivências.

Amar e namorar, quando é o começo de tudo, é bastante diferente de amar e namorar quando já se viveu alguns romances efetivos. Isso, exceto aqueles jovens que naturalmente possuem um espírito mais velho, pois eles existem (rs). Quando buscamos evoluir nossa idade mental (que é bem diferente da idade física) a tendência é conduzir um relacionamento com essa tal de “maturidade” que – na realidade – é apenas saber priorizar o que nos tem real valor. Maturidade não deixa de ser um tipo de filtro subjetivo e divino, que quando se é inexperiente, as possibilidades nos parecem infinitas, os efeitos, as consequências, as ações e reações de nossas atitudes idem. Mais maduros, tendemos a canalizar energia, afeição e amor no que é mais básico, primordial e simples, nos afugentando das confusões da alma.

Eis a visão que tenho sobre o efeito da maturidade do tema amor e relacionamento.

Já disse aqui que quando duas pessoas se “colidem”, dispostos a viver um namoro, a química é exclusiva e intransferível pois são combinações de dois indivíduos únicos. O mesmo indivíduo com outra pessoa geraria outra vibe, outras sintonias e, o contexto de espaço e tempo de vida que cada um se encontra influencia também. Assim, posso dizer por experiência própria que um namoro jamais será igual ao outro e as possibilidades que se abrem serão sempre diferentes. Posso até afirmar que duas pessoas que já namoraram no passado, quando se reencontram novamente, certamente serão outras pessoas. E ainda, se caímos do “demônio da comparação” e achamos que o anterior era melhor que o atual, tenha absoluta certeza que você não está resolvido.

Não fazia parte da minha realidade viver a situação (novamente) do meu namorado passar um ano fora, bem longe. Há uns 5 ou 6 anos atrás, vivenciei o mesmo e, naquela época, o contexto de tempo, espaço e maturidade eram outros. Não suportei a ideia e terminei com meu ex pouco antes dele viajar. A atitude (ação e reação, causa e efeito) gerou dezenas de situações meio desastrosas (rs) que hoje lembro com bastante graça, mas que na época me abalaram para o bem e o mal (rs). Sou fruto – também – dos diversos calos de todo esse contexto vivido.

Existe um último fator determinante hoje que é quase que subjetivo e inexplicável: simplesmente confio no “Meu Japinha”, coisa que não sentia em relação ao ex-namorado. Tudo me leva a crer que essa confiança sublime e subjetiva, além do que o Japinha obviamente me transmite, é algo que eu adquiri d’eu comigo mesmo. Isso é determinante para a paz no coração e para se seguir em frente sem sofrimentos.

Naturalmente, nesse fluxo de abertura e aceitação, sem colocar a viagem como uma barreira em nossas vidas, já programamos um encontro certo, com passagens compradas para o Reveillon de 2014 e 2015. Estarei com ele por lá, num canto dos EUA e, se tudo der certo, nos vemos um pouco antes também em NYC. A situação material é outro fator que traz influência em tudo isso, principalmente naquele contexto classista e provinciano que tenho comentado por aí, no MVG. De qualquer forma, fruto de bastante trabalho e objetivando uma certa autonomia, já na época do ex que ia viajar, tal ponto não foi questão a mim.

As decorrências do que sinto são resultados de minhas vivências, de uma pitada de terapia (que também foi uma escolha) e de um olhar importante que não se esforça para viver de passado: o tempo, a prática e uma autoconsciência do incontrolável que existe entre as pessoas tende a nos trazer uma certa leveza.

O amor, o afeto e a afeição que eu sinto pelo Meu Japinha também são determinantes nessas histórias novas. Como é sabido, o amor fortalece e impulsiona.

Saber que hoje eu sou a melhor versão de mim mesmo também influencia em muito em tudo que é vivido, lidado e compartilhado entre nós. Porém, tenho que dizer que somente me tornando uma pessoa melhor fui capaz de sintonizar e enxergar Meu Japinha e vice-versa. A partir daí fez-se o encontro.

1 comentário Adicione o seu

  1. André disse:

    Sábia reflexão. :)

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