Tem inspiração nessa história

Ontem tive um jantar com o amigo Matheus para iniciar meu merecido feriado prolongado, e com uma amizade que vem alcançando os três anos, pude acompanhar como MVG e como Flávio as desventuras e aventuras da “vida gay” de Matheus, fidelizando mais um pouco a nossa relação. Está namorando, numa história que vai chegando aos seis meses e, idealista como é em diversos aspectos da vida, ele não poderia deixar de desejar um “namoro perfeito”.

Trocamos um punhado de confidências, nos atualizamos sobre nosso momento atual de vida e foi aí que, ao ver meu amigo narrar suas angústias atuais com o namorado, pude notar o quanto ele amadureceu nesses anos. Meu discurso foi quase de “você está reclamando de barriga cheia”, visto que a qualidade de relação que construiu hoje com o namorado, pouco se compara com suas relações anteriores.

Fora seu idealismo, meu amigo Matheus, ainda hoje e depois de três anos fora do armário, busca sutilmente por uma autoafirmação para se assegurar quanto a própria relação. Acontece que das poucas vezes que encontrei o casal (longe de ser beato ou “carola”), vi um brilho e uma alegria, da espontaneidade de risadas, de brincadeiras e de uma leveza que são inspiradoras. Comentei com objetividade e clareza a ele:

– Esse brilho e alegria que existem atualmente em sua relação, eu tive a oportunidade de viver em todos os meus namoros. Aproveite ao máximo enquanto durar porque é um dos momentos mais gostosos. Acho que não vale a pena ficar se pegando a detalhes que te tiram certa segurança as vezes. Diferenças vão sempre existir e fazem parte de qualquer relacionamento. Não existe namoro perfeito, por mais que alguns casais “vendam” essa imagem.

Reforcei ainda:

– Depois de uma fase relativamente curta de eu desdenhar um pouco as relações afetivas no MVG, acho que chegou a hora de eu positivar novamente e vou ilustrar com a sua história.

E o fato é exatamente esse, queridos leitores: meu amigo Matheus, por trás de um idealismo de relação “perfeita”, vive um dos melhores momentos que qualquer casal pode viver num ciclo natural das relações. Um momento com recheio de amizade, risadas espontâneas, bom humor, companheirismo e um amor evidentemente correspondido. Um momento em que um inspira ao outro, conferindo à própria relação muitíssima criatividade.

O amigo comentou que a forma atitudinal (de ação mesmo) que o namorado tem para demonstrar seu amor, as vezes não basta, como se fosse necessário verbalizar ou declamar palavras para que se sentisse acolhido. Seu namorado é daqueles que sai de longe, muito longe, pega um bus e se encontra no meio do caminho com ele para lhe entregar um bolo de aniversário, a fim de que o meu amigo possa comemorar com os colegas de trabalho. Atitudinal.

Nesse contexto eu disse:

– Me identifico muito com seu namorado. Embora ele não verbalize o amor no jeitinho que você idealiza, pode ter certeza que se você perde-lo, toda essa postura e atitude farão bastante falta. Parece bobagem, mas tenho ex-namorado que até hoje sugere a falta que faz esse tipo de coisa (rs).

Se a gente puder colocar numa balança, amor de atitude é mais raro que amor de verbo.

Com essa história, relembrei sobre um tópico que foi bastante presente em fases da minha vida, quando diretamente ou indiretamente, meu ex-namorados me cobravam isso ou aquilo: existem formas diferentes de expressar o amor. Muitas maneiras para falar a verdade, de gestos simples e românticos a atitudes “heróicas” e expressivas.

Nesse jogo infindo das relações, dos acertos e erros e de aprendizados, a grande questão é se somos (humildemente) capazes de decodificar tais gestos.

Vai com fé, Matheus, porque esse menino te ama, o que não quer dizer que não possa cometer deslizes sob o teu olhar e vice-versa.

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