Sincera tradução

Existe hoje em mim um amor que transborda. E é tão raro essa experiência. Sei que desse sentimento vivi poucas vezes e como gostaria de cultiva-lo pelo infinito! =P

É intenso, constante e pode até ser clichê ou brega, mas pulsa. Tenho isso comigo desde que te conheci, embora as circunstâncias atuais da vida tenham nos afastado.

Outrora, por experiências semelhantes, eu poderia me sentir de orgulho ferido, mesmo sendo eu a pessoa que manifestou o término. Esse mesmo orgulho já me apontou a direção uma vez. Segui pela sombra e, apesar de obscuras as vivências, aprendi muito. Lancei para longe determinados julgamentos. Lancei para longe certos medos e preconceitos de uma parte de mim que era desconhecida.

Mas não faz sentido entrar nessa onda hoje. Porque, de fato assumido, identificável, intenso e frequente, estou cheio de amor. E esse sentimento que brota do meu peito, me provoca um inédito sentido de empoderamento. Outrora, como disse, fora tingido de orgulho.

Amor? Sim, embora exista o afastamento. E o afastamento veio porque houve a compreensão da minha parte sobre o teu contexto. Houve, acima de tudo, o respeito. In other words, amor.

Te provoca medo ou vergonha eu expressar tudo isso?

Confesso que, nos primeiros dias, veio a sensação da frustração, da impotência, da confusão, da irritação, do inconformismo, da vida me sugerindo como agente para arrancá-lo de sua condição atual. Seria o meu atributo na relação mais uma vez? De novo e de novo? Já cumpri essa “função” tantas vezes! E antes mesmo de você surgir, por trás daquela janela de vidro, de perfil, boné, lindo e com pensamento longe, eu havia me prometido: “busque uma nova maneira de amar. A trilha conhecida está ao seu lado, mas você já sabe onde vai dar”.

E assim estou fazendo. Difícil pra mim também, mas não é falta de te querer.

Está valendo o sacrifício? Depois de um pouco mais de duas semanas, me parece que sim. Eu continuo vivendo dessa energia dentro do meu peito, mas não posso estar por perto. Paradoxo, mas tão necessário neste momento.

Abstraia das questões com o ambiente, contextos e medo daquilo que é novo e você fica como o responsável por esse sentimento que transborda e tenho isso claro agora, depois da marola da frustração. Mais de duas semanas, a mim, foi tempo suficiente para clarear o peito: essa energia por dentro, mesmo sem o título “namorados”, me empodera. E quando digo que é sua essa responsabilidade, não é para assustar. É no sentido emocional da gratidão, por eu poder viver disso. É combustível. É inspirador. É imensidão e é a certeza de tantos conceitos que, para a lógica, são incertos.

Sugerimos a “amizade”. Mas não é isso, sabe? Não é essa a posição que eu o desejo na minha vida e desconfio que a você também. Estamos em silêncio há um pouco mais de uma semana e não tenho coragem – e a palavra é exatamente essa, coragem – de canalizar energia numa amizade. Não consigo porque a emoção é simplesmente outra.

Por mais que me doa, nas horas que me desligo da minha rotina intensa, nessas mesmas horas vem uma vontade de querer bem tão grande, tão forte e tão rara que – sem querer – acabo naturalmente despejando essas emoções em meu entorno. É um transbordar, que pode parecer ridículo para alguém que leia. Mas é de inspiração para quem vive.

Você tem medo do que pode vir com tudo isso. Mas esse sentimento é meu, sabe?

Quem diria que eu poderia estar suficientemente vibrante longe de você, pelo simples fato dessa energia ter aflorado dentro do meu peito? Tudo ainda tão novo!

O orgulho, a frustração, a impotência, o medo da perda, certo vitimismo ou a decepção não foram sentimentos suficientes para reprimir essa energia. Me sinto vivo, agradecido e naturalmente triste por uma condicionada distância. Condicionada.

Essa energia é um sentimento valioso, raro e empoderador. Gostaria apenas que você soubesse o quanto você me faz bem e que existe uma sabedoria soprando em meu ouvido: “é impossível eu ter isso dentro de mim sem que você também não tenha algo assim”.

Só tenho um sentimento de pena, que não é de mim e muito menos de você: esse combustível pode durar, mas em determinado momento acaba. Corto meu voto de silêncio ciente que cedo ou tarde você lerá esse texto.

PS: A expressão de amor nesse mundo tão caótico, tão controlador e tão neurótico vale qualquer exposição. Que na mais óbvias das hipóteses, sirva ordinariamente de referência para meus leitores.

4 comentários Adicione o seu

  1. RENATO disse:

    Boa Noite!
    Achei lindo a forma simples que vc escreveu esse post. Não sei o que dizer pois nas entrelinhas há sentimento, vc consegui canalizar o sentimento e traduzir ele em palavras.
    Aplausos para o derramar do sentimento e o equilíbrio do mesmo.

    1. minhavidagay disse:

      Obrigado, Renato :)

  2. Gustavo disse:

    Fala aí querido,
    “Gustavo”, do Rio, por aqui…. de vez em quando volto pra ler alguns de seus textos – que continuam ótimos!
    E me emocionei com este post, pq ainda vivo aqui o dilema de terminar ou não o casamento, sempre com muita conversa e lágrimas de ambos os lados. E sempre levantamos tb a possibilidade da “amizade”, mas que sempre parece muito distante daquilo que o sentimento entre nós é capaz de ser…. e que sempre deixa essa sensação de “pena”, pq ainda que dê certo por um tempo, um dia vai acabar.
    Vida que segue.

    1. minhavidagay disse:

      Oi, meu querido!
      Desculpe comentar somente agora. Estou numa fase muita corrida, cheio de novos projetos, ideias e etc. Bom te-lo por aqui novamente.

      Quantos anos se passaram desde o nosso encontro? Pelo visto alguma coisa caminhou de lá para cá, não é?

      Espero que esteja tudo bem, apesar dos pesares, das dificuldades, dos rótulos e das incertezas!

      Um abraço!

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