Um gay alcança os 38 anos

Diante do cenário nacional, poderia chegar nessa idade muito mais pessimista. Mas mesmo assim, certo “pessimismo” que andou imperando nos últimos posts políticos e sociais – para além das questões da homossexualidade – aqui no Blog MVG, não deixa de ser um retrato real de quem está atento e informado. No final, acaba soando mais pessimista a aqueles que têm medo de ouvir alguém afirmar (com firmeza) que a “coisa não está bonita”. “Ah, você é um pessimista” não deixa de ser um argumento de proteção, um muro, para aqueles que querem evitar enxergar o certo conflito que tendemos a viver nos próximos dois anos. Fantasiar em ver o modelo idealizado ruir, fugindo de nossas possibilidades, não é fácil…

Mas gostaria de lembrar que, tais palavras expressas por aqui, funcionam apenas no sentido de prevenção. É aquela “anteninha” para ficar levantada, sem deixar de seguir em frente com os projetos pessoais. Quem quiser fazer vistas grossas, fará de qualquer forma e consumirá abruptamente nossa água nesse e em outros carnavais. Porque no Brasil é assim: enquanto algumas casas utilizam 10m3 de água (como a minha, frequentada em média por seis pessoas durante a semana), outros estarão enchendo a piscina Regan para aproveitar nos finais de semana.

Eis minhas preocupações de macro mundo, para além do meu universo particular.

Mas falando agora do segundo, estou prestes a completar 38 anos, um pulo para me tornar um gay quarentão (rs).

Na minha bolha, as coisas vão bem:

Meu Japinha volta para o Brasil provavelmente em maio e poderemos dar continuidade ao namoro. Uma coisa a gente aprendeu, ou pelo menos falo por mim: o valor de um propósito para com outro, o cumprimento de acordos, não tem preço. Estávamos namorando há apenas dois meses quando ele partiu. Certo é que a amizade mesmo começou há uns seis meses antes e, depois de 60 dias de namoro, ele foi para os EUA. O encontrei em outubro em Nova Iorque e depois fiquei com ele mais 12 dias em Chicago, Las Vegas e San Francisco. Namoro presencial mesmo foi de aproximadamente 3 meses somados. Os demais foram de uma naturalidade de lidar com a distância. Funcionou até agora e poderiam até dizer que é um “compromisso digno de oriental”. E eu responderia: “vá tomar no meio do olho do c*” com esse estereótipo (rs) ou “abra sua mente ou continue conversando com a minha mão” (rs).

Fui na minha querida vidente, “psicóloga do meu espírito”, aquela que visito todo começo do ano. Para variar, apesar do cenário econômico que ela mesmo citou, esse ano que é regido por Marte – coincidentemente o planeta que rege meu signo e meu ascendente – será mais engrandecedor e enriquecedor que os demais anos vividos (celebrem, arianos!). Tenho realmente sentido uma energia potencializada que deve ser canalizada em breve em alguma boa empreitada (embora minha vontade fosse atirar em todos os palácios e governantes que atrasam meu país – rs), sem romper com a lealdade e comprometimento que construí com a minha empresa atual. Somos dependentes um do outro e não penso em dispensá-la. Talvez já não tenha mais a paixão que outrora tive por ela, como festejei diversas vezes por aqui. A paixão acabou, mas a lealdade permanece, de um para com o outro, como deveria ser com todos bons relacionamentos.

(Marte é também um planeta que representa mudanças. Então, quem não gosta de mudanças… se prepare…)

A cada ano que passa percebo o quanto a minha sexualidade ou o destaque que dava a ela, em outras fases da vida, tem naturalmente enfraquecido. Até (possivelmente) meus 33 anos eu construía um sentido de importância perante as pessoas, fundamentado no fato de ser gay. Chego próximo aos 38 anos e “ser gay” dilui-se tanto entre “ser homem”, “ser empreendedor”, “ser filho”, “ser irmão”, “ser criativo”, “ser de personalidade”, “ser comunicativo”, “ser estratégico”, “ser dona de casa”, “ser inteligente”, “ser namorado”, “ser focado”, “ser trabalhador”, “ser inventivo”, “ser tio”, “ser chefe”, “ser consultor” entre outros seres que durante a vida inteira vou descobrindo que sou, que “ser gay” é quase que qualquer coisa.

Acontece, meus queridos leitores, que quando somos mais jovens, daqueles jovens dos 14 aos 30 anos, a gente ainda não descobriu ou não trouxe para a consciência aquilo tudo que somos. Normalmente sabemos o que não queremos, mas o contrário…

Dos 14 aos 30 anos vivemos ainda provações e estamos nos descobrindo.

Em certa medida, chegar aos 38 anos é ter descoberto boa parte de quem se é. Por outro lado, é ter como claro e transparente que, a cada período de tempo, algo novo virá de você mesmo. Então, nessa idade que chego, eu aprendi a definir o meu funcionamento.

Tem outra que é importante: chegar aos 38 anos jovem é diferente de evitar dizer que tem quase 40 porque se sente velho. Pensem nisso e vejam quais desses dois quarentões vocês serão…

Prestes a completar 38 anos, tenho um lastro de 14 anos de network, contatos e clientes que estão garantido os melhores projetos da minha empresa logo no começo de 2015, numa incrível relação trabalho VS. ganho (menos trabalho, mais ganho).

Quem lê esse texto, precisa pensar no homem gay de 38 anos que estou me tornando. Porque quando tinha 27, há 11 anos atrás em 2004, eu tinha na conta apenas R$ 3.000,00 para sustentar a minha empresa, um novo aluguel recém assumido, um funcionário, dois cachorros de grande porte e um marido (ops, o marido ficou por último – rs). Naquele mesmo ano, aos 27, mamãe pegou um empréstimo e me ajudou com mais R$ 3.000,00. Em outras palavras, que fique claro: não nasci “riquinho”, gozando em berço de ouro. Cheguei aqui na combinação de esforço + talento + sorte/fé, esse último, do dedo de Deus.

E outra: nem me sinto rico… ainda.

Pratico musculação e corro na esteira no mínimo 4 vezes por semana. E não sou rendido a estética como o “Homem Ken” que andou pintando pela Internet. Faço por zelo a minha saúde e prazer. Muito prazer.

Jogo tênis que, a princípio, foge completamente dos padrões gays conhecidos. Em compensação, três viagens quase seguidas para o exterior me fizeram encher a mala de “Men’s Skin Care”. Tenho recomendações ótimas de produto de beleza masculino, para quem quiser (rs).

Assim, chego aos 38 anos sem grandes arrependimentos do passado, com uma certa inquietação por querer produzir mais e atento que o céu é meu limite. Feliz em estar com Meu Japinha, pelo simples interesse de seguir a vida com alguém ao meu lado. Não tenho a pretensão controladora de que seja para sempre. Mas enquanto durar, que seja bom, feliz e engrandecedor para ambos. A gente tem lições a aprender com o outro, quando a gente se permite.

Chegar aos 38 anos assim, é aprender a lidar com a ansiedade e desfrutar do aqui e agora.

 

 

9 comentários Adicione o seu

  1. Adônis disse:

    Parabéns então por sua História de 38 anos!

    MVG, seu livro está na minha lista obrigatória de leitura para esse ano de mudanças , ano de Marte que pretendo agarrar com unhas e dentes e fazê-lo valer muito a pena. Desses 3 anos que conheço o blog, consegui não me precipitar em relação ao entendimento da minha sexualidade e esse ano me acho preparado para um contato mais físico (RS) com ela, não sei é se minha natureza pisciana que tende a idealizar tudo vai resistir ao aplicativo de pegação recém instalado rsrs.
    Mas reiterando, nesses seus 38 anos lhe desejo muitos sucessos futuros, e mando um grande obrigado por esse espaço maravilhoso onde você compartilha um pouco da sua vida e com isso ajuda muita gente.

    1. minhavidagay disse:

      Muitíssimo obrigado, Adônis! Fico feliz que as referências aqui tem colaborado com algumas pessoas! :)

  2. Daniel disse:

    Fico feliz em saber que você, e o blog, é claro, estão de volta ! Fico feliz em saber que você é hoje muito mais tranquilo em relação à sua sexualidade e creio que isso seja natural, pois a tendência, com o tempo, é nos desapegarmos cada vez menos às opiniões alheias “o q os outros vão pensar?” ” o q vão dizer de mim? ” e coisas assim.
    Desejo que seja um grande ano para vc e todos os leitores do blog e que cada vez mais as pessoas possam se assumir não apenas como gays ou não, mas como pessoas, tomando para si as rédeas de sua vida ! Já tenho 34 anos, ainda não tenho a casa própria nem me casei (mas em breve rs…), mas posso dizer q sou muito mais tranquilo em relação a mim e aos “achismos ” dos outros do q quando tinha 20 e poucos e pelo q li no seu texto, a tendência é só melhorar ! rs
    A frase q mais me marcou hoje no seu texto foi ” A gente tem lições a aprender com o outro, quando a gente se permite” . No meu caso, q sou professor, essa frase faz muito, muito sentido. Aprender sempre – com a vida e com os outros – e estar aberto a isso, são decisivos para o nosso crescimento!
    Abraços e feliz 2015 !

    1. minhavidagay disse:

      Agradecido, Daniel!
      Fico emocionado em ver essa troca saudável, de referência, experiências e expectativas.

      Muito obrigado, professor! :)

  3. A.A. Neto disse:

    Só tenho a lhe Agradecer!
    Me sinto honrado, em poder ler e me identificar tanto com seus textos. Agora fica a espera agonizante pelo próximo!

    Obrigado, MGV.

    1. minhavidagay disse:

      Oi A.A. Neto!
      Felicidade ler teu breve depoimento. Obrigado! Sempre que posso faço um conteúdo novo.

      Obrigado pela fidelidade.

      Um abraço,
      MVG

  4. Flávio disse:

    A sensação é de estar lendo um diário, a empatia é inevitável. Tenho apenas 22 anos, já posso dizer que enfrentei muitos fantasmas desde a descoberta da minha sexualidade, das dúvidas, dos medos, das inseguranças, das cobranças, embora ninguém da minha família saiba abertamente da minha preferência, acredito que desconfiem. Há muito ainda o que conquistar, especialmente a sonhada independência financeira. Acredito que a gente nunca está realmente pronto, preparado para tudo na vida, seus trinta e oito anos é um grande exemplo de que a gente não nasce pronto, vai se fazendo na vida, vai se compondo e recompondo ao longo do tempo. Esse seu texto tem um peso que você nem imagina pra quem está se descobrindo e aprendendo a lidar com a vida “gay”. É uma luz no fim do túnel, é um sinal de que é plenamente possível viver uma vida “normal” em que ser gay se torna só um detalhe, ou pelo menos deveria. Eu gostaria de ter lido textos assim quando tantas vezes pensei em suicídio por não enxergar um futuro enquanto gay, enquanto me sentia vivendo uma vida irreal, uma fantasia. Quando somos mais jovens tudo é tudo tão intenso, somos tão imediatistas, tão ansiosos pelo futuro, que mal dimensionamos nossos sentimentos. Parabéns pelo texto, obrigado por compartilhar sua história. Estarei sempre por aqui. Abraço!

    1. minhavidagay disse:

      Está lendo agora, Flávio. Vale o hoje para o futuro! :D

      Agradecido pelo depoimento!

  5. lebeadle disse:

    E também tem o “ser amigo” outra das sua identidades que também devem ser comemoradas; a propósito gostei de saber de suas especialidades em skin care, farei consultas…
    Beijos e vamos comemorar mais uma vez!

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