Vazando segredos

Pé no chão e cabeça nas estrelas

Por aqui, no meu entorno, estou vivendo a renovada sensação de estar gostando muito. Poderia dizer que o post anterior foi uma autoafirmação a mim para lembrar que, gostando muito, é importante cuidar para não querer “engolir” a pessoa (rs), ultrapassando os limites de sua (e da minha) individualidade.

Existe toda uma serenidade e autocontrole que tem me rodeado nos últimos meses, quem sabe, anos. Serenidade e autocontrole advindos de experiências, relacionamentos, começos, meios e fins de namoro. São os “calos” e, bastante ciente, sem grandes traumas ou pendências com aqueles que na minha vida passaram. Por outro lado, revivo depois de muito tempo, um magnetismo por alguém que me coloca a cabeça feito um balão. Na verdade, não é a cabeça: é o peito. Ele tem se inflado, querendo tirar meus pés do chão.

Não sei direito para onde essa energia quer me levar. Só sei que já não entendo direito aqueles que não entendem o que estou sentido. E eu estava do outro lado da “bancada” até agora, não faz um mês, fincado com os pés na plataforma da minha racionalidade. E, de repente, eu quase que flutuo. Algo como uma criança com muitas bexigas na mão, querendo voar.

Faz quanto tempo que eu não me sinto assim? São anos.

“Flávio, você não tem medo de ficar assim, tão vulnerável? Tão abobalhado? Entregue? Facinho?” – é, realmente sei do que se trata essa vulnerabilidade e do pensamento crítico ao mesmo. Mas não estou totalmente descolado do chão. E claro que é importante saber o tanto que ele está gostando, mas sem a presunção de ter uma medida exata, de que se for mais eu tenho garantias ou de que se for menos, eu largo alguns dos balões. Talvez eu esteja assim porque, lá no fundo, no fundilho mesmo, eu não tenho medo de “me dar mal”. Não tenho medo de levar um tombo, nem de sofrer algum tipo de desilusão. Acho que já tombei tantas vezes que já sei a melhor forma de cair para machucar menos. E suportar a dor.

Eu tenho é medo de bloquear e de não viver! Isso é bem diferente.

Antigamente, essa energia que eu sinto hoje, vinha com muito mais frequência. Tenho consciência disso. Voltou de surpresa, conferindo um tempero especial as minhas “camadas” de vivências. E qual a diferença, agora, Flávio?

A diferença, Beto, é que seguro minhas expectativas, sem a necessidade de provações para me soltar. Ou seja, não estou pensando muito lá na frente, sonhando com coisas que possam se realizar, nem aguardando gestos “grandiosos” para que, assim, eu possa me liberar.

A diferença é que conectamos com tudo para agora ir aos poucos. Conectar “com tudo”, da minha parte, traduz-se assim: “quero ver qual é. Me senti muito motivado a me conectar a você”. E o “aos poucos” é assim: “agora, não temos pressa de nos desvendar”.

A diferença é dar muito mais oportunidade para o hoje. Idealizando, sim, um pouco o “aqui e agora”, mas me permitindo a enxergar o humano que está a minha frente, com seus defeitos, demandas, manias e esquisitices. Eu consigo perceber, com discrição, essas coisinhas que te fazem humano. E eu imagino que você o mesmo.

A diferença é que estou me dando a oportunidade de gostar de você de um jeito diferente. Dá um certo frio na barriga pelo incerto. Incerto, porque antes o Flávio gostava de um jeito e seguia o mesmo roteiro. Cansei dessa programação e, de certo, estou fazendo de um jeito que eu nem sei onde vai dar, justamente por que é novo. E são mudanças, Beto, que você há de entender mais pra frente. Ou não (rs).

Isso é o Flávio hoje.

Por fim, o amanhã eu entrego para o destino, Deus, Maomé, Buda, tempo, ou seja lá qual for a entidade que melhor materializa, na real, os pés no chão.

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