WhatsApp!

O WhatsApp está se tornando aquela ferramenta óbvia de comunicação coletiva. Não foi à toa que o Mark comprou por alguns bilhões, com o objetivo de não perder certo monopólio das redes sociais.

As vezes, nós, gays, projetamos certas responsabilidades nos meios, pela dificuldade que temos de conhecer alguém, um “projeto de par”, pelos aplicativos, sites, salas de bate-papo, etc.

Como profissional da área há mais de 15 anos, tal discussão da qualidade dos meios, é assunto por longa data.

De fato, por trás de cada telinha existe um usuário e é ele que dará propriedade para o meio e não ao contrário. O usuário hoje promove a notícia e recebe, ao mesmo tempo.

É possível encontrar um namorado pelo Grindr? Olha, a bem da verdade é que tais apps se institucionalizaram como ferramentas de casualidades. Talvez 80% dos usuários utilizem tais recursos com a finalidade do encontro e sexo casuais.

Mas sempre há aquele caso de casais gays que se formaram por um encontro de aplicativo.

A dobradinha comportamental é quase que padronizada: falamos com um punhado de gays no Hornet, Scruff e Grindr e, rapidamente, transferimos o contato para o WhatsApp. Mudança sócio-cultural significativa: as pessoas estão deixando de passar o número do telefone para uma conversa. Elas passam o mesmo número para trocar WhatsApp!

Se pararmos para prestar atenção, não era assim há menos de dois anos atrás e tais mudanças enchem os olhos de quem analisa, estuda e trabalha com públicos, sejam os sociólogos, psicólogos e publicitários.

Por fim, para conclusão, é importante tomarmos consciência disso: quando a gente fala “procurar namorado por aplicativos não dá certo”, estamos projetando muita responsabilidade no meio. O que existe de fato, e como já referenciado aqui no Blog MVG, é um momento de “sociedade líquida”, da dificuldade de comprometimento, das opções, de certo foco no “ter” e não no “ser” e de um certo descarte.

Como mudar esse cenário? A princípio, não achando que é o fim dos tempos e esperando que o outro mude, mas, tomando essa consciência e mudando a si mesmo.

Aplicativos, hoje, não deixam de fazer parte de guetos gays que cabem no bolso. Mas há pessoas e pessoas, intenções e momentos de vida. Não é muito diferente de cruzar alguém de mesmo interesse, incidentalmente, na balada.

3 comentários Adicione o seu

  1. Danilo disse:

    Mgv, parabéns pelo teu blog e por toda a repercussão que noto pelos cometários em diversos post’s. Agora sobre a matéria;
    Para o público gay, que está longe de se libertar nesse país, por diversas questões que ficam para uma próxima discussão, pode até parecer uma boa opção, ou mesmo a única. Só que como cita o texto a grande massa lá está voltada a busca pelo prazer da carne, estigma este que foi pregado sob a sociedade gay desde tempos remotos e que parece estar presente na cabeça dos próprios gays até hoje.
    Já usei muito esses apps, e hoje o único que restou foi o whatsapp, que é o que mais me chateia pois alem de ver que ele está deixando as pessoas mais ansiosas e cegas não gosto da mudança que ele trouxe para a sociedade como um todo e devo dizer que sempre vi ele e outros aplicativos semelhantes como uma separação de pessoas, pois perdeu-se aquele prazer da resposta imediata em uma conversa telefônica ou o olho no olho, o toque da mão entre outras coisas que os encontros pessoas traziam. Hoje conhecemos mais nossos parceiros e amigos pelo que é dito ou melhor escrito do que por suas atitudes. A minha indagação é, qual a trilha a ser seguida no futuro? Acontecerá como todo império ao atingir seu ápice ou cada vez mais vamos viver em função disso? Deixo aqui um mínimo desabafo do que penso a respeito dessas inovações.
    Grande Abraço

    1. minhavidagay disse:

      Obrigado pelos elogios e por sua reflexão no post, Danilo! :)

  2. Dodi disse:

    Excelente texto. Este argumento se estende para a vida social universal, a qual os gays estão, também, inseridos.
    Esta cultura engajada pela competitividade financeira e capitalismo global, onde as pessoas perdem seus nomes para números, se rendendo a sonhos impostos e não natos, tornam cada vez mais o homem menos humano, mais “animal” e rendido por suas próprias crenças e armadilhas. Mas há quem perceba isto…

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